O Tribunal do Júri de Gravataí condenou, na noite de terça-feira (10), um homem de 37 anos a 41 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato da ex-companheira Ketelyn Mota Cabeleira, de 25 anos, e do atual namorado dela, Robson Fernando de Oliveira Ávila, de 22. O crime ocorreu na madrugada de 16 de julho de 2022, no Bairro Cruzeiro, em Gravataí.
A sentença reconheceu, no caso da ex-companheira, as qualificadoras de feminicídio — em razão da condição de gênero —, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi aplicada a majorante por descumprimento de medida protetiva que estava vigente à época. Já no homicídio de Robson Ávila, o réu foi condenado por duplo homicídio qualificado, também por motivo torpe e impossibilidade de defesa.
A promotora de Justiça Priscilla Raminelli Leite Pereira, responsável pela acusação, confirmou que o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) irá recorrer da decisão para tentar ampliar a pena. “O MPRS ficou satisfeito com a condenação, mas entende que a sentença foi branda em alguns pontos. Espera-se que esse caso sirva de exemplo para demonstrar que feminicídios não serão tolerados em Gravataí”, declarou.
Segundo a investigação, o réu invadiu a residência da ex-companheira durante a madrugada e disparou contra o casal. Ketelyn foi encontrada morta dentro da casa, enquanto Robson foi localizado caído próximo à porta. Eles estavam juntos há pouco mais de um mês. Técnica em enfermagem e socorrista voluntária, a jovem havia registrado boletim de ocorrência semanas antes do crime e tinha uma medida protetiva contra o agressor.
O julgamento, que se estendeu até depois da meia-noite, foi acompanhado por amigos e familiares das vítimas, que realizaram um ato pacífico em frente ao Fórum de Gravataí.













