Uma investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Gravataí revelou como uma organização criminosa estruturava um esquema de lavagem de dinheiro para ocultar valores obtidos por meio de golpes financeiros aplicados em diferentes estados brasileiros. A apuração resultou na Operação Trampo, deflagrada nesta quarta-feira (22), e identificou uma rede formada por gerentes, pessoas recrutadas para emprestar contas bancárias — os chamados “laranjas” — e até uma empresa de fachada utilizada para movimentar os recursos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo atuava como uma engrenagem financeira destinada a dificultar o rastreamento do dinheiro obtido nas fraudes. Após as vítimas realizarem transferências acreditando estarem fazendo investimentos legítimos ou após terem as contas bancárias invadidas, os valores eram rapidamente distribuídos entre diversas contas bancárias em nome de terceiros.
Esses terceiros eram pessoas sem antecedentes criminais que aceitavam emprestar suas contas em troca de uma comissão. Segundo a investigação, elas ficavam com cerca de 5% do valor movimentado, enquanto o restante era repassado aos gerentes da organização. Em muitos casos, o dinheiro era sacado logo após as transferências para dificultar ainda mais a identificação do destino dos recursos.
A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, explica que muitos dos envolvidos eram atraídos por promessas de dinheiro fácil divulgadas em redes sociais, sem participar diretamente da aplicação dos golpes.
Além dos “laranjas”, a investigação identificou uma empresa de fachada utilizada para movimentar parte dos valores e apreendeu, até o momento, 27 cartões bancários vinculados às contas usadas no esquema. O material recolhido durante a operação será analisado para permitir o rastreamento do destino final dos recursos.
Segundo a Polícia Civil, uma das principais fraudes praticadas pelo grupo era o golpe do falso investimento. Nesse tipo de crime, os criminosos se passavam por assessores ou consultores financeiros e convenciam as vítimas a transferirem grandes quantias sob a promessa de aplicações rentáveis. Em um dos casos investigados, uma vítima do Distrito Federal perdeu R$ 98 mil. Em outro, também no DF, o prejuízo chegou a R$ 136 mil após os golpistas obterem acesso à conta bancária da vítima.
As investigações apontam que os golpes atingiram moradores do Distrito Federal, Tocantins, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, enquanto a estrutura responsável pela movimentação e ocultação do dinheiro era alvo da apuração conduzida em Gravataí.
A Operação Trampo cumpriu mandados de busca e apreensão em Gravataí, Cachoeirinha, Alvorada, Porto Alegre, Torres e também em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Dois homens apontados como gerentes do esquema foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, um em Gravataí e outro na cidade catarinense.












