Tentem imaginar: dois artistas multifacetados e super talentosos que compreendem que a arte pode ser muito mais do que uma ferramenta para provocar uma catarse pessoal. Eles propõem imersão, redirecionamento dos pensamentos mais solitários. Alheios à lógica do mercado, Felipe P. e Juliana B. montaram a mística e performática dupla “Capela Nefasta”.
Em um cenário onde a música virou disputa por números e atenção de algoritmos, a dupla, que possui trabalho autoral, escolheu outro caminho. E nesta segunda-feira, 17 de agosto, lança o primeiro single do álbum “Anarquia Cósmica”: a canção “A Última Dose”. A faixa estreia exclusivamente no YouTube, com Lyric Vídeo, e terá link para download liberado no drive.
A canção tem o piano densamente tocado por Capela, assim como o tambor xamânico, pau de chuva e flauta. O clima harmônico e repetitivo do piano, aliado a uma letra que alerta e denuncia, nos faz pensar de forma reflexiva, sem deixar de nos atermos ao que é proferido de maneira poética e melodiosa na voz de Nefasta.
Propositadamente, o intuito da dupla é fugir da lógica das plataformas de streaming e criar uma relação direta com quem busca a obra por vontade própria. “Não queremos medir arte por métricas. Queremos saber quem chegou porque realmente quis ouvir”, afirmam os artistas.

Um templo de som e palavra
Capela Nefasta se define como um espaço onde arte, mistério, ciência, tecnologia e investigação da alma humana se encontram.
Felipe P. – Capela, o “Guardião das Frequências”, trabalha o som como arquitetura. Ele transforma silêncio em paisagem sonora e ergue “paredes invisíveis” de vibração onde as emoções podem existir.
Juliana B. – Nefasta, “Oráculo das Palavras”, usa a poesia para atravessar camadas esquecidas. O nome “Nefasta” não tem por premissa nos remeter ao mal, mas ao desconforto necessário para provocar pensamento e transformação. Sua alquimia é transformar dor em linguagem e caos em reflexão.
Juntos, eles pretendem promover uma experiência que mistura frequência, verso e silêncio como forma de investigar a condição humana. Ao melhor estilo Tom Zé, que já vociferou: “… eu vim aqui foi pra confundir e não pra explicar…”
Talvez esse seja, efetivamente, o desejo e objetivo da sagrada Capela Nefasta: enxergar na escuridão a dor que muitos fingem não ver em dias ensolarados.
Do disco ao livro
“Anarquia Cósmica”. A ideia é fazer com que o projeto transite não só na música, mas também na literatura. O trabalho não ficará apenas no digital. A Capela Nefasta prepara o lançamento de um álbum literário: uma edição física em formato de livro de arte. A publicação vai reunir letras, poemas inéditos, manifesto artístico, fotos autorais, ilustrações e ensaio visual. Cada faixa terá um QR Code que leva à versão digital da música. A ideia é recuperar o objeto tátil e mostrar que música, poesia, imagem e performance podem existir juntas.

Sarau leva o projeto para o palco
A dupla realiza o Sarau Anarquia Cósmica: além das músicas, o circuito abre espaço para poetas e artistas autorais ligados à chamada “poesia maldita” – marcada por ruptura, desejo, transgressão e investigação das profundezas humanas.
Edições programadas:
3/9, quinta-feira – Armazém 500, em Gravataí
17/9, quinta-feira – Armazém 500, em Gravataí
18/9, sexta-feira – Glingy, em São Leopoldo
O Instagram da dupla é @capelanefasta.
Clique aqui para acessar o canal dos artistas no YouTube.
*Este conteúdo foi produzido pelo jornalista André Valdez, pesquisador musical e apresentador do programa Adega Musical: A sua embriaguez sonora, da Rádio América BR.
Fotos: Pauline Constante













