Quando Marcelo Rodrigues abriu o próprio estúdio em Gravataí, no início dos anos 2000, a fotografia vivia uma realidade bastante diferente da atual. Filmes fotográficos, revelação e equipamentos especializados ainda faziam parte de um mercado que, nas duas décadas seguintes, seria profundamente transformado pela digitalização e, mais recentemente, pelos smartphones. O negócio atravessou essa mudança sem abandonar aquilo que seu fundador considera essencial: registrar histórias.
Em 31 de janeiro de 2027, o Marcelo Rodrigues Fotografia completará 25 anos. A trajetória empresarial, no entanto, representa apenas parte de uma relação ainda mais antiga. Marcelo trabalha com fotografia há 39 anos e começou no ramo aos 11, quase por acaso.

Antes de empreender, passou aproximadamente 15 anos trabalhando em um estúdio fotográfico e também acumulou experiências profissionais em Porto Alegre. A mudança veio por volta de 2001, quando decidiu seguir carreira própria. O novo negócio nasceu ao lado da esposa, Renata, em um momento em que o casal também começava a construir a própria família: Júlia, filha dos dois, tinha poucos meses.
O que começou como uma aposta profissional ganhou estrutura e incorporou a família ao longo do caminho. Hoje, Marcelo, Renata e Júlia trabalham com fotografia e conduzem uma operação que reúne loja, laboratório fotográfico, estúdio e estrutura para cobertura de eventos.
A expansão ganhou força especialmente a partir de 2012. Em vez de buscar outros mercados, a família decidiu concentrar investimentos em Gravataí e ampliar localmente serviços que, na avaliação de Marcelo, muitas vezes levavam moradores da cidade a procurar profissionais em Porto Alegre e em outros municípios.
A estratégia passou por capacitação, atualização técnica e investimento em estrutura. Marcelo chegou a estudar fotografia na Europa durante uma temporada de dez dias, período em que também fotografou dois casamentos. A equipe realizou trabalhos em diferentes pontos do Brasil, mas manteve Gravataí como base da operação.
“Eu sempre enxerguei um potencial enorme no município. Então eu e minha família decidimos estudar, investir e nos preparar para atender justamente esse público que busca excelência e um trabalho personalizado”, afirma.
Da técnica à experiência
A transformação tecnológica da fotografia também alterou a maneira como o negócio busca se diferenciar. Se equipamentos, iluminação e recursos de edição já foram barreiras importantes de entrada no setor, a popularização da tecnologia reduziu parte dessa distância.
Para Marcelo, isso deslocou o diferencial para outro ponto: a capacidade de compreender quem está diante da câmera.
A proposta do estúdio passou a privilegiar projetos personalizados e uma agenda mais restrita. A família limita a operação a, no máximo, dois eventos por fim de semana. Antes de fotografar, reuniões presenciais são utilizadas para conhecer clientes, entender expectativas e construir a proposta de cada trabalho.
“É preciso saber fazer a leitura do cliente, entender o que ele sente, o que espera e o que é importante para aquela pessoa. Isso exige estudo, experiência e, principalmente, sensibilidade”, diz.
O modelo também levou o negócio a atuar além do momento da fotografia. A experiência acumulada em casamentos, festas de 15 anos, formaturas e outras celebrações aproximou a empresa de cerimonialistas, espaços de eventos, gastronomia, iluminação, sonorização e entretenimento. Na prática, esse conhecimento passou a ser utilizado também para orientar clientes durante a preparação das celebrações.
Ao longo dessa trajetória, mais de 6 mil eventos passaram pelas lentes da empresa. O reconhecimento local também se tornou recorrente: há 12 anos consecutivos, o Marcelo Rodrigues Fotografia aparece como a marca mais lembrada do segmento de fotografia no Marcas & Líderes.

O álbum depois da festa
Uma das iniciativas criadas para reforçar a relação com os clientes acontece justamente quando o evento já terminou. O estúdio chegou neste ano à terceira edição de um encontro dedicado à entrega de álbuns fotográficos.
As duas primeiras experiências foram realizadas em escala menor, dentro do próprio estúdio, reunindo seis ou sete famílias. Na edição mais recente, o formato ganhou outra dimensão: foram entregues 44 álbuns para mais de 40 famílias, em uma noite que reuniu cerca de 200 pessoas.
O encontro também incorporou profissionais envolvidos na realização dos eventos registrados pela empresa. Cerimonialistas, empresários do setor, fornecedores de gastronomia, entretenimento, iluminação e sonorização participaram da programação, transformando a entrega em um espaço de relacionamento entre clientes e o mercado de eventos.
A iniciativa traduz uma defesa que Marcelo faz em meio a uma época em que milhares de fotografias ficam armazenadas em celulares e arquivos digitais: a permanência da imagem impressa.
“O álbum não é apenas um produto. Ele é um legado. É o documento que permanece depois que toda a festa termina”, resume.
A lógica é especialmente relevante para um negócio concentrado em acontecimentos que não podem ser repetidos. Casamentos, formaturas e festas de 15 anos se tornaram produções cada vez mais elaboradas, mas acontecem uma única vez. Para a empresa, o trabalho começa antes da celebração e não deve terminar no último clique.



Uma empresa que virou projeto de família
Quase quatro décadas depois de Marcelo começar a fotografar e às vésperas de o estúdio completar um quarto de século, a história profissional também passou a se confundir com a trajetória da própria família.
Renata participou da criação da empresa e Júlia cresceu acompanhando o desenvolvimento do negócio que nasceu quando ela ainda era bebê. Hoje, os três dividem a profissão e participam da continuidade da marca.
A estrutura física construída ao longo dos anos é apontada por Marcelo como uma das conquistas da trajetória, mas não como a principal. Para ele, o ativo mais difícil de construir foi a relação de confiança com famílias que entregaram ao estúdio o registro de momentos importantes de suas histórias.
Agora, a proximidade dos 25 anos abre espaço para uma nova etapa. A família trabalha em um projeto de mudança previsto para os próximos três anos. Os detalhes ainda não são revelados, mas Marcelo antecipa que a transformação deverá ampliar o projeto construído em Gravataí.
Aos 50 anos, 39 deles ligados à fotografia, ele ainda recorre à mesma frase para explicar uma carreira que começou quando era criança e acabou se transformando em empresa, profissão familiar e legado.
“Não fui eu que escolhi a fotografia. Foi a fotografia que me escolheu.”












