“Um diamante no patrimônio histórico do Brasil”. Dessa forma a historiadora Vera Barroso define a Casa dos Baptista, construção de 1814 situada em Cachoeirinha e que ainda hoje mantém o espaço que foi utilizado como senzala. A estrutura do imóvel está, todavia, sofrendo deterioração, o que leva cada vez mais voluntários e entidades a unirem forças para garantir a preservação do local.
Há uma grande mobilização para que o casarão seja considerado patrimônio histórico e cultural em âmbito federal. E as expectativas são positivas, pois em visita técnica há algumas semanas, membros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ficaram impressionados com o lugar, apontado como um dos poucos do período colonial no país.
Os esforços para que o imóvel seja preservado são antigos, porém a causa ganhou mais adeptos nos últimos anos frente à informação de que haveria interessados em construir empreendimentos na região. Associação de Preservação da Natureza do Vale do Gravataí (APN-VG), Coletivo Mato do Júlio, Prefeitura de Cachoeirinha, entre outros órgãos, já vinham desenvolvendo ações em prol da Casa dos Baptista, cujo tombamento municipal ocorreu em 2022.
Após essa medida, teve início a luta para o tombamento estadual e, agora, nacional. Segundo o professor de História e voluntário do Coletivo Mato do Júlio Leonardo da Costa, nos últimos quatro anos vinham sendo resgatados documentos para oficialização do pedido de tombamento do imóvel junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae). A entrega dessa documentação aconteceu em janeiro deste ano. Na ocasião, foi informada uma previsão de seis meses para análise do pedido.
Simultaneamente, há a mobilização junto ao Iphan, o que incluiu a visita técnica em fevereiro, com a participação de representantes da Prefeitura de Cachoeirinha, Ministério da Cultura e Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (Caergs), instituição sediada em Gravataí que manifestou apoio aos trabalhos para preservação da propriedade. A presidente da Caergs, Viviane Peixoto Hunter, reuniu-se no início do ano com o prefeito Cristian Wasem para colocar a entidade à disposição na luta para que a história da Casa dos Baptista não se perca.
“Já sabíamos que essa pauta estava em discussão no município. Como é a construção de um açoriano, que veio para cá aos 12 anos de idade, tem relação com os objetivos de nossa entidade, que são a preservação, divulgação, fomento e resgate da cultura açoriana no Rio Grande do Sul. Isso justifica o nosso interesse em participar dessa iniciativa”, afirma Viviane.
Existem questões jurídicas envolvendo os herdeiros do imóvel localizado na área que ficou popularmente conhecida como Mato do Júlio, e isso também torna o processo mais lento. Contudo, para os que aguardam que o Iphan declare o casarão patrimônio histórico nacional, as perspectivas são otimistas. Os representantes das instituições envolvidas ouvidos pela reportagem do Giro de Gravataí apontam que tudo caminha para que a Casa dos Baptista possa ser restaurada e, futuramente, torne-se um espaço de visitação focado na preservação da História. Mas, antes disso, é preciso obter a definição do Iphan, que estima que o expediente seja concluído em até dois anos.
Viviane, que participou da visita técnica do mês passado, destaca que a Casa dos Açores também teve a experiência de restauração, incluindo a captação de recursos para a obra, conhecimento que também poderá contribuir na possível transformação do lugar em um museu ou centro cultural. “Queremos auxiliar para que não se perca aquela relíquia”, frisa.
O açoriano que construiu a casa
Também presente na comitiva, o diretor de Parcerias da Caergs, o professor de História e escritor Amon da Costa relata que o Comendador João Baptista foi uma das grandes personalidades açorianas do século XIX. Nascido em 1800 no município de Velas, na Ilha de São Jorge, nos Açores, em Portugal, ele veio para o Rio Grande do sul e estabeleceu um império econômico. “Era conhecido como o Homem de 1000 escravos. Participou da construção da Igreja Matriz de Gravataí, da Ponte dos Açorianos em Porto Alegre, das fundações do Theatro São Pedro e do primeiro edifício de Porto Alegre, Malakoff”, salienta Amon.
Vídeo sobre a Casa dos Baptista produzido recentemente pelo professor Amon da Costa.
Fotos: Divulgação

















