Com vasta experiência e premiações no teatro, o ator Guilherme Ferrêra, de Gravataí, destaca-se cada vez mais em produções audiovisuais. O artista integra o elenco do filme “Ainda somos os mesmos”, que estreia no dia 26 de setembro. Dirigido por Paulo Nascimento, o longa metragem será exibido em vários cinemas do país. Este é o terceiro trabalho de Guilherme com o diretor. Ambos trabalharam juntos em “Chama a Bebel” e no seriado “Chuteira Preta”.
O novo filme é baseado em uma história real. De acordo com os produtores, trata-se de um “drama épico que mergulha na realidade catastrófica de 1973, quando o Chile sofre um golpe de Estado e vê ceifada sua própria democracia. O general Augusto Pinochet assume o comando do país em regime de ditadura e, na convulsão social da época, 40 mil militantes políticos e imigrantes são presos e torturados no Estádio Nacional de Santiago”.
O elenco é formado por nomes como Edson Celulari, Carol Castro, Lucas Zaffari, Gabrielle Fleck, Pedro Garcia Neto, Carlos Ramón Falero (Uruguai), Juan Tellategui (Argentina), Álvaro RosaCosta, Rogério Beretta e Suzi Martinez. Guilherme Ferrêra interpreta o líder do Exército Chileno, coronel Ramirez. “Pra mim, um dos principais desafios desse trabalho foi o fato de estar no núcleo de artistas que interpretam em espanhol, junto com Carlos Falero, Juan Tellategui e Suzi Martinez. Além disso, tratar de um tema tão delicado requer muito cuidado e respeito. O filme é inspirado em fatos reais, em pessoas reais. E isso por si só, já é um imenso desafio!”, salienta o ator de Gravataí.
“Ainda somos os mesmos” foi gravado em cidades gaúchas (Porto Alegre e Novo Hamburgo) e no Chile e retrata a jornada de brasileiros que buscam fugir do conflito e são aterrorizados no estádio. O personagem Gabriel (Lucas Zaffari) busca trazer de volta a namorada Helena (Gabrielle Fleck), raptada e sob forte ameaça. É quando o pai de Gabriel, Fernando (Edson Celulari), usa da influência para tentar resgatá-los.
A partir da narrativa familiar, desdobram-se outras histórias de refugiados que procuram se salvar. Na trama, Carol Castro interpreta uma dessas figuras: a jovem Clara, que está enlouquecendo na Embaixada da Argentina, lembrando dos seus amores e familiares mortos pelo conflito.
A trilha sonora inclui a canção “Como nossos pais”, composta por Belchior na década de 70 e eternizada na voz de Elis Regina. A música reflete, justamente, sobre o conflito de gerações acentuado pela repressão da ditadura militar e consta na Revista Rolling Stone entre as 100 melhores canções do país na história. A utilização da melodia conta com a autorização da família de Belchior. A interpretação é de Thedy Corrêa, vocalista da banda gaúcha Nenhum de Nós.
A obra é baseada no testemunho de João Carlos Bona Garcia, amigo do diretor, que sobreviveu ao confinamento na Embaixada Argentina no Chile, em 1973. A produção é da Accorde Filmes e a distribuição da Paris Filmes.
Trabalhos teatrais e audiovisuais
Guilherme Ferrêra, que é um dos sócios-fundadores da Rococó Produções Artísticas e Culturais, tem percorrido, nos últimos meses, várias cidades brasileiras com projetos teatrais, principalmente voltados ao público infantojuvenil. Ele relata que “Era uma vez: contos, lendas e cantigas” já passou por Santa Catarina, Piauí, Minas Gerais e terá uma temporada em São Paulo, de novembro a dezembro. “De La Mancha: O cavaleiro trapalhão” foi aos mesmos estados, além do Distrito Federal.
Recentemente, o espetáculo “As Aventuras de João, a Princesa e o Tapete Voador” teve sua primeira participação em São Paulo e o “Vampirices”, apresentado em Santa Catarina, concorre ao Prêmio Tibicuera de Teatro Infantojuvenil. Além disso, a Rococó estreou a peça “Memória de Elefante”.
Este ano, outros projetos audiovisuais com a participação de Guilherme foram lançados. Após a estreia, em janeiro, do filme “Chama a Bebel”, foi a vez do curta-metragem “A um gole da eternidade”, dirigido por Camila de Moraes e exibido na mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado. Posteriormente, estreou “Dá um tempo”, sob a direção de Evandro Berlesi.
“E acabei de gravar o piloto de um seriado que tem o título provisório de ‘O Centésimo Macaco’, com direção de Maurício Borges de Medeiros. Também fui chamado para participar de um longa com direção de Muriel Paraboni, que tem o título provisório de ‘São Bernardo’ e deve rodar no final do ano”, revela o ator.
Fotos: Edson Filho
















