Informar e conscientizar. Esse é o propósito do Instituto Frente Unida pela Causa Animal (F.U.C.A.), ONG criada em Gravataí pelo protetor Marcos Torres, natural de Belém do Pará. Desde que veio morar no Rio Grande do Sul, há 15 anos, ele se dedica a ações em benefício dos animais, mas após as enchentes de 2024 no estado, sentiu a necessidade de ampliar a atuação, visto que aumentou significativamente o número de cães e gatos sob a tutela de voluntários. “O que já era caótico ficou ainda pior”, frisa o paraense ao relatar que a catástrofe climática evidenciou a demanda por políticas públicas para os animais e sobrecarregou os protetores da cidade e região.
A ONG F.U.C.A. foi registrada em fevereiro deste ano, porém, antes disso, um grupo voluntário já se mobilizava para colocar o tema em pauta, sobretudo a urgência de castrações e iniciativas educativas. Com o esforço de protetores de animais, o município recebeu uma unidade móvel para castração de mais de 260 pets, no ano passado. “Naquele dia, eu conheci pessoas com o mesmo amor pelos animais. Começamos a nos reunir, as ideias nasceram. Criamos o primeiro encontro de protetores”, recorda Marcos ao mencionar a origem da entidade.
Na época, o levantamento indicou que mais de 70 pessoas (a maioria mulheres acima dos 55 anos) se dedicavam à causa na cidade, abrigando 1,6 mil animais e custeando as despesas com recursos próprios e doações. A abertura da instituição foi viabilizada, portanto, para auxiliar os protetores de animais, permitir a busca de recursos públicos e parcerias para projetos.

Educar para combater maus-tratos
O Instituto F.U.C.A. em parceria com a ONG SOAMA iniciou nesta segunda-feira (8/6) o projeto “Vozes da Consciência”, que levará palestras sobre proteção aos animais a escolas. O lançamento ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Nova Conquista, no Rincão da Madalena. “A causa animal não é compreendida pela sociedade como um todo. Muitos acham que só resgatamos, que os protetores só fazem isso. Mas não é. Tanto que estamos com um projeto na área da Educação”, explica Marcos, enfatizando que a iniciativa almeja conscientizar os estudantes, especialmente as crianças, a cuidarem dos animais e combaterem maus-tratos.
A Escola Nova Conquista foi receptiva à proposta da ONG F.U.C.A. e anteriormente às palestras participou de uma pesquisa. Uma equipe multidisciplinar – psicólogos, terapeutas, orientadores educacionais, entre outros profissionais –, desenvolveu um questionário sobre o tema, que foi respondido por cerca de 600 estudantes do terceiro ano do Ensino Fundamental à EJA. Os dados estão sendo compilados e, em breve, um relatório será apresentado à instituição de ensino.
A vice-diretora dos turnos da manhã e tarde, Gisele Silva da Silva, destaca que a cultura do respeito e cuidado com os cães é praticada na escola – onde alguns animais circulam e são alimentados. A própria educadora conta que adotou dois cachorros que apareceram no local. Contudo, ela aponta que é preciso alertar a comunidade do bairro quanto a importância das castrações, e ações como as desenvolvidas pelas ONGs contribuem ao disseminar informações.

Um olhar carinhoso e protetor
A palestrante do lançamento do projeto Vozes da Consciência foi a protetora de animais Natasha Oselame Valenti, uma das diretoras da ONG SOAMA, fundada em Caxias do Sul há 30 anos. Ela salienta que trabalhar a temática com as crianças é imprescindível para a mudança comportamental. “Crianças maltratam animais por três motivos: elas veem em casa os familiares maltratarem e acham que é normal; elas são maltratadas e descontam nos mais vulneráveis; ou são casos de psicopatias, doenças mentais. Por isso é importante este trabalho focado nas crianças”, afirma.
Na conversa com os alunos, Natasha deu vários exemplos de como a sociedade maltrata os animais e incentivou que eles olhem para esses seres vivos com mais bondade, compaixão e empatia. Também trouxe casos de amor aos animais que ganharam repercussão nas mídias. Para a diretora da Só Ama, o caminho para mudar a realidade de maus-tratos contra animais deve se basear em três pilares: políticas públicas para castração em massa, educação nas escolas e punição efetiva para os crimes.
Trabalho contínuo
Segundo o fundador do Instituto Frente Unida pela Causa Animal, o objetivo é que mais escolas participem do projeto, recebendo palestras e outras atividades de cunho pedagógico. Pretende-se também envolver professores e pais em encontros para compartilhamento de informações. Marcos ressalta que é urgente plantar essa semente para superar o problema no futuro.
Outro plano da iniciativa com a comunidade escolar é possibilitar que estudantes visitem espaços que abrigam animais resgatados para que possam ver na prática os cuidados necessários, que vão muito além de dar água e alimentar – é preciso proteger, levar ao veterinário e tratar com mais carinho os animais.

Atendimento na USAG
Defensora de que sejam implantadas mais políticas públicas em prol dos animais, a ONG gravataiense também ajuda a divulgar a Unidade de Saúde Animal do município (USAG), situada na Rua Annibal Carlos Kessler, 152, no bairro Moradas do Sobrado. O órgão pode ser contatado pelo WhatsApp (51) 3191-4947 e atende residentes em Gravataí com renda de até três salários mínimos.
Na USAG, as consultas ocorrem por ordem de chegada e urgência. As fichas podem ser retiradas das 8h30 às 13h, de segunda a sexta-feira. Para castrações, é preciso verificar a possibilidade de agendamento pelo WhatsApp (51) 3600-7355.
Denúncias de maus-tratos podem ser registradas via site da Prefeitura, contatos da Guarda Municipal (153) ou Brigada Militar (190).
Contatos da F.U.C.A.
Se você deseja colaborar com o trabalho desenvolvido pela ONG de proteção aos animais, entre em contato com Marcos Torres pelo WhatsApp (51) 99702-8112 ou Instagram @fuca.protetores.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí















