O percentual de famílias gaúchas endividadas apresentou leve recuo em junho, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de alta. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), divulgada pela Fecomércio-RS com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo o levantamento, 86,9% das famílias do Rio Grande do Sul possuíam algum tipo de dívida relacionada à tomada de crédito em junho de 2026, como cartão de crédito, financiamentos e empréstimos. O índice ficou abaixo dos 87,4% registrados em maio, mas permanece acima dos 84,4% observados no mesmo período do ano passado.
A pesquisa também identificou redução na inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso caiu de 27,0% para 25,8% entre maio e junho, retornando ao mesmo patamar registrado em junho de 2025. O movimento foi observado tanto entre famílias com renda de até dez salários mínimos quanto naquelas com rendimento superior a esse valor.
Apesar da melhora nos indicadores gerais, o levantamento revela que as dificuldades financeiras permanecem mais intensas entre as famílias de menor renda. Nesse grupo, aumentou a parcela dos que afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso no mês seguinte, enquanto o tempo médio de inadimplência também cresceu.
Outro dado que chama atenção é o comprometimento da renda com dívidas. Em junho, o percentual passou de 29,6% para 29,7%, alcançando o maior nível registrado em 2026 e indicando menor margem no orçamento das famílias para absorver despesas inesperadas.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, os números indicam uma melhora pontual, mas ainda exigem cautela.
“Os resultados de junho mostram uma melhora pontual dos indicadores de endividamento e inadimplência, interrompendo a trajetória de alta observada nos últimos meses. No entanto, esse movimento ainda deve ser interpretado com cautela. Apesar da redução dos indicadores agregados, as famílias de menor renda que permanecem com contas em atraso continuam enfrentando maior dificuldade para regularizar sua situação financeira. Em um ambiente de crédito restritivo e taxas de juros elevadas, o comprometimento da renda segue elevado, reduzindo a margem do orçamento das famílias para absorver novos gastos ou imprevistos”, avalia.
Os dados da PEIC-RS foram coletados em Porto Alegre nos dez últimos dias de maio e consideram exclusivamente dívidas relacionadas à contratação de crédito, não incluindo despesas de consumo como contas de água, energia elétrica e telefonia.
*Informações: Fecomércio-RS.














