Inaugurada em 22 de junho de 2024, o monumento em homenagem a Exu Bará, localizado na rótula do Distrito Industrial de Gravataí, consolidou-se como um dos principais símbolos da presença das religiões de matriz africana no espaço público gaúcho e passou a representar um marco na defesa da liberdade religiosa e do respeito à diversidade de crenças.
Idealizado pelo sacerdote do Templo Mensageiros da Luz, Tata de Quimbanda Independente Mestre Lukas de Bará da Rua, o monumento foi construído com recursos do próprio templo e inaugurado diante de aproximadamente 1,2 mil pessoas. Com quatro metros de altura, entre base e escultura, a imagem representa Exu Bará, divindade associada ao movimento, à prosperidade e à abertura de caminhos.
Ao longo dos últimos dois anos, o espaço passou a receber regularmente sacerdotes e praticantes de diferentes vertentes das religiões de matriz africana para cerimônias, oferendas e obrigações religiosas. Segundo Mestre Lukas, o monumento ultrapassou sua função espiritual e tornou-se um símbolo de reconhecimento e visibilidade para comunidades que historicamente enfrentam episódios de preconceito e intolerância.
“Acredito que sempre é muito bom quando podemos ocupar um espaço público para reverenciar o nosso sagrado, porque mostramos para a sociedade que nós também temos força, que também somos organizados. Ter um monumento como esse na cidade é uma forma de mostrar que a nossa religião também precisa ser respeitada e que também é séria”, afirma.
De acordo com o sacerdote, a presença do monumento também contribuiu para estreitar o diálogo entre as comunidades religiosas e o poder público. A manutenção do espaço é realizada pelos próprios praticantes, com apoio da Prefeitura de Gravataí, que auxilia nos serviços de limpeza do entorno.
Apesar da repercussão que cercou sua implantação, a estátua não sofreu atos de vandalismo desde a inauguração. Conforme Mestre Lukas, o principal desafio enfrentado atualmente é o descarte inadequado de oferendas por pessoas que não seguem as orientações das lideranças religiosas.
“É um espaço que tem algumas pessoas que deixam bichos mortos ali, o que é contra a nossa orientação. Mas esse foi o único problema até então, porque quebrar alguma coisa não. Muito pelo contrário, muitas pessoas ajudam a cuidar”, destaca.
A escolha do Distrito Industrial para receber o monumento também foi carregada de simbolismo. Segundo o líder religioso, Exu Bará é reconhecido nas tradições afro-brasileiras como uma entidade ligada ao movimento, ao crescimento e à prosperidade, atributos que dialogam com a vocação econômica da região.
“Trabalhamos com Exu Bará para abrir caminhos, conseguir empregos e impulsionar empresas. Colocar o monumento no Distrito Industrial foi uma forma de levar esse axé para um espaço de desenvolvimento, desejando prosperidade para quem trabalha e empreende ali”, explica.
A iniciativa passou a despertar o interesse de lideranças religiosas de outros municípios e já inspira projetos semelhantes em diferentes regiões do país. A intenção, segundo Mestre Lukas, é ampliar a presença de monumentos que representem as religiões de matriz africana em espaços públicos, fortalecendo o reconhecimento dessas tradições e promovendo o respeito à diversidade religiosa.
Dois anos após sua inauguração, o monumento de Exu Bará permanece como um dos principais pontos de referência da religiosidade afro-brasileira em Gravataí. Além de reunir fiéis e praticantes, o espaço simboliza a ocupação legítima do espaço público por diferentes manifestações de fé e reforça o debate sobre liberdade religiosa, pluralidade cultural e combate à intolerância.
*Informações e foto: Mestre Lukas.















