Quem visita hoje a sede da Prevebras, no bairro Parque dos Anjos, em Gravataí, encontra uma empresa consolidada, especializada em engenharia de prevenção contra incêndios e com atuação em diferentes regiões do Brasil. Por trás dessa estrutura, porém, existe uma história marcada por trabalho, recomeços e pela busca constante por conhecimento técnico.
Neste ano, a empresa completa 14 anos de atuação levando soluções em engenharia para grandes indústrias, centros logísticos, hipermercados e empreendimentos de diversos segmentos. Ao longo desse período, expandiu sua presença para quase 20 estados brasileiros, conquistou clientes de relevância nacional e prepara agora um novo passo em sua trajetória: a abertura de seu primeiro escritório, em São Paulo.
Para o fundador da Prevebras, Everton Matos, a história da empresa começou muito antes da abertura oficial, em 2012. Natural de Gravataí, ele atribui ao pai, Paulo Matos, o primeiro incentivo para seguir carreira na área. Industriário durante toda a vida, foi ele quem sugeriu que o filho, aos 17 anos, cursasse o Técnico em Segurança do Trabalho.
Na época, Everton não imaginava que aquela decisão definiria seu futuro profissional.
Em 1999 iniciou como estagiário na antiga Synteko e descobriu na área de emergências industriais uma vocação que o acompanharia pelos quase 27 anos seguintes. Nesse período, construiu uma sólida trajetória dentro da segurança industrial, passando pela Pirelli, em Gravataí, onde coordenou equipes de emergência, atuou como auditor das normas internacionais ISO 14001 e OHSAS 18001 e participou da coordenação de grupos de emergência industrial, como o Plano de Auxílio Mútuo (PAM).
Também integrou os simulados de emergência realizados durante a Copa do Mundo de 2014, atuando em conjunto com Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, Gate, Exército, Defesa Civil e outras instituições responsáveis pela segurança pública.
Foi justamente essa experiência acumulada ao longo de décadas que serviu como base para a criação da Prevebras.

Uma empresa construída com conhecimento e perseverança
O início da empresa foi simples. Sem estrutura própria, Everton chegou a emitir notas fiscais utilizando o CNPJ de um amigo enquanto buscava consolidar o negócio. Mais tarde, vieram outros desafios importantes, como o encerramento de uma sociedade em 2016 e, anos depois, a pandemia, que obrigou a empresa a praticamente reconstruir toda a operação.
A antiga sede foi entregue, surgiram dificuldades financeiras e o negócio precisou ser reorganizado praticamente do zero. Segundo Everton, porém, havia algo que nenhuma crise poderia tirar da empresa: o conhecimento técnico acumulado ao longo dos anos.
“Foi isso que sustentou a virada. Em nenhum desses momentos eu perdi o que já tinha construído em conhecimento técnico”, afirma. Durante esse período, a esposa e sócia, Alessandra Pradier, teve participação decisiva para manter a empresa em funcionamento.
“Chegamos a fazer serviços de instalação juntos. A Alessandra inclusive fazia serviço braçal para manter a empresa viva. Reconstruímos tudo a partir de uma salinha pequena no centro de Gravataí.”
Hoje, a Prevebras possui sede própria no bairro Parque dos Anjos, equipe estruturada e atende empresas como Randon, Grupo Bimbo, Yara, WEG, ArcelorMittal, Vipal e TKE. Em 2026, além do Rio Grande do Sul, mantém adequações em andamento em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Distrito Federal e Pará.
Muito além do PPCI
Embora muitas pessoas associem o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) apenas ao documento exigido pelo Corpo de Bombeiros para emissão do alvará, a Prevebras trabalha justamente para mostrar que existe um projeto de engenharia muito maior por trás desse processo.
Antes de qualquer documento ser elaborado, a equipe realiza um estudo completo da edificação, analisando o tipo de atividade desenvolvida, os materiais armazenados, a carga de incêndio, a circulação de pessoas e as formas de evacuação em caso de emergência.
A partir dessa análise são definidos todos os sistemas necessários para proteger vidas e patrimônio, como saídas de emergência, sinalização, iluminação de emergência, extintores, hidrantes, sistemas de detecção e alarme, chuveiros automáticos quando exigidos e estratégias de compartimentação para impedir a propagação do fogo.
Cada uma dessas soluções envolve cálculos técnicos e responsabilidade profissional. “O PPCI não existe para agradar o Corpo de Bombeiros. Ele existe para garantir que, se acontecer o pior, as pessoas consigam sair com vida e que a empresa não perca tudo. O documento é consequência de um projeto de engenharia bem feito, nunca o contrário.”

Planejamento reduz custos e aumenta a segurança
Outro ponto constantemente defendido pela empresa é a importância de incluir a engenharia contra incêndios ainda na fase de planejamento das obras. Segundo Everton, quando a prevenção participa desde o desenvolvimento do projeto arquitetônico, toda a construção já nasce preparada para atender às exigências legais e técnicas.
As saídas de emergência são posicionadas corretamente, a distância entre edificações respeita os critérios de isolamento de risco, a reserva de água e a rede de hidrantes entram no orçamento desde o início e todo o empreendimento é concebido de forma mais eficiente. Quando isso não acontece, as adaptações costumam ser mais caras e complexas.
“A gente precisa quebrar parede, refazer instalações, alterar layouts inteiros. Isso aumenta custos, atrasa inaugurações e normalmente entrega um resultado inferior ao que teria sido obtido se tudo tivesse sido pensado desde o começo.”
Segurança acompanha o crescimento de Gravataí
Nos últimos anos, Gravataí passou por um importante ciclo de expansão industrial, logística e comercial. Novos condomínios logísticos, galpões, empresas e empreendimentos reforçaram a posição do município entre os principais polos econômicos do Rio Grande do Sul.
Na avaliação da Prevebras, esse crescimento também amplia a importância da engenharia de prevenção contra incêndios.
A legislação estadual, conhecida como Lei Kiss, exige que as edificações estejam regularizadas junto ao Corpo de Bombeiros. Sem essa regularização, empresas podem ter dificuldades para obter licença de funcionamento, além de ficarem sujeitas a multas e até interdição.
“Quando a indústria cresce, Gravataí cresce junto. Mas esse crescimento só é sustentável quando acontece com segurança. A engenharia de prevenção ajuda justamente a garantir que esse desenvolvimento não se transforme em tragédia.”
Atuação completa em engenharia de prevenção
Hoje, a Prevebras atua em duas frentes complementares. Além da elaboração de projetos e regularização de PPCIs e Planos Simplificados de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PSPCI), realiza laudos técnicos, regularização junto ao Corpo de Bombeiros e fornece extintores, recargas, sinalização e iluminação de emergência.
Outra área importante da empresa é a capacitação das equipes dos clientes, por meio de treinamentos de brigada de incêndio, primeiros socorros e formações voltadas à segurança e saúde no trabalho.
Embora também atenda comércios e empreendimentos de menor porte, a especialidade da empresa está nas grandes plantas industriais, que exigem elevado nível técnico e conhecimento aprofundado das normas de segurança.

Atualização permanente
Em um segmento que passa por constantes mudanças, manter-se atualizado faz parte da rotina da empresa. As resoluções técnicas do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul são revisadas frequentemente, assim como normas da ABNT e legislações relacionadas à segurança e saúde do trabalho. Além disso, cada estado brasileiro possui regulamentações próprias.
Por isso, a Prevebras também trabalha com referências internacionais, como as normas da NFPA e da FM Global, amplamente utilizadas por grandes indústrias e seguradoras.
Segundo Everton, acompanhar a evolução do setor também significa investir continuamente na estrutura interna da empresa, fortalecendo equipes, gestão, tecnologia e expansão.
Nova fase
Entre os principais marcos desses 14 anos está a capacidade construída pela empresa de atuar em praticamente qualquer região do país. Segundo Everton, a Prevebras já desenvolveu projetos em quase 20 estados brasileiros, atendendo indústrias, hipermercados e centros logísticos com o mesmo padrão técnico, respeitando as particularidades da legislação de cada estado e dos diferentes Corpos de Bombeiros.
Outro momento decisivo foi justamente a reorganização realizada após a pandemia. Em vez de apenas recuperar o que havia sido perdido, a empresa revisou processos, fortaleceu a gestão e estruturou um novo ciclo de crescimento.
Hoje, Gravataí continua sendo sua base de operações, mas o próximo passo já está definido. Ainda em 2026, a Prevebras abrirá seu primeiro escritório em São Paulo, levando para fora do Rio Grande do Sul o mesmo padrão de engenharia construído ao longo de 14 anos.
Engenharia antes da venda
Para Everton, a consolidação da Prevebras pode ser resumida em uma filosofia que norteia todas as decisões da empresa. “Engenharia antes da venda.”
Segundo ele, mais do que comercializar equipamentos, a empresa atua como uma consultoria especializada em engenharia de prevenção, estudando o risco real de cada cliente antes de propor qualquer solução.
Em alguns casos, isso significa inclusive recomendar investimentos menores do que aqueles imaginados inicialmente, quando a análise técnica demonstra que outro caminho é mais adequado.
Essa postura ajudou a construir relações de longo prazo com empresas de grande porte, algumas clientes da Prevebras há mais de uma década.
“Nossos valores são inegociáveis: postura de dono, rigor documentado, transparência sempre e respeito ao ser humano. Segurança, no final das contas, é sobre pessoas. É sobre o trabalhador voltar para casa inteiro. Nossa missão é proteger vidas e patrimônio por meio de engenharia de excelência, e nossa visão é ser a principal referência do setor, presente nos maiores polos industriais do Brasil.”
Ao olhar para os 14 anos de história, Everton afirma que a trajetória da empresa foi construída com consistência, parceria e muito trabalho. “Eu e a Alessandra construímos isso juntos, tijolo por tijolo. Engenharia salva vidas e patrimônio. Segurança não é custo, é engenharia bem feita. Quem entende isso cresce com a gente.”












