
Seis anos é o tempo de prisão determinado pela Justiça ao delegado da Polícia Civil Moacir Fermino. A condenação é por ter inventado que um ritual satânico, realizado em Gravataí, seria a explicação para a morte de duas crianças encontradas em Novo Hamburgo.
De acordo com o juiz Ricardo Carneiro Duarte, o delegado cometeu crime de falsidade ideológica e corrupção ativa de testemunha. Paulo Sérgio Lehmen, apontado como o “informante” do delegado, também foi condenado. A pena é de quatro anos, dois meses e 12 dias de prisão.
Em ambos os casos, as defesas poderão entrar com recursos e as pensas só deverão ser cumpridas após esgotados os trâmites judiciais.
Relembre o caso:
No dia 4 de setembro de 2017, dois corpos de crianças foram encontrados esquartejados na região da Lomba Grande, em Novo Hamburgo. Naquele período, o delegado titular Rogério Baggio, estava de férias e as investigações foram iniciadas por Moacir Firmino.
Em poucos dias, Fermino já tinha concluído que as crianças teriam sido mortas em um ritual satânico, ocorrido em Gravataí, mas encomendado por empresários de Novo Hamburgo para prosperidade nos negócios.
Além de Sílvio Fernandes, líder religioso e dono do templo, outras seis pessoas foram indiciadas pelo esquartejamento das crianças em um ritual com velas, capas, bíblias, máscaras e rituais com sangue, conforme detalhou o delegado na época.
Contestado em coletiva de impressa, Moacir alegou ter recebido uma “revelação divina” para solucionar o crime, o que alertou a cúpula da secretaria de segurança do RS, afastando ele das investigações. Dias depois, a corregedoria da Polícia Civil informou que um homem havia sido preso após “comprar” três pessoas que foram usadas como testemunhas para dar sustentação a história inventada pelo delegado.
Em março de 2018, delegado Fermino, um policial civil e Paulo Sérgio Lehmen foram indiciados pela invenção de todo o enredo da “mirabolante” história, além de aliciar pessoas para que testemunhassem sobre o suposto ritual.
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