
Revelada há 15 anos, quando uma menina de 12, moradora de Gravataí, conseguiu escapar de um cativeiro na cidade de Delta, em Minas Gerais, a rede de tráfico de meninas para a exploração sexual, que em dois anos levou de Gravataí e região cerca de 30 crianças, segue impune e com todos os envolvidos soltos.
Foi no ano de 2007 que uma operação da 2ª Delegacia de Polícia deu fim a atuação do grupo, que sequestrava e até mesmo comprava meninas região para que fossem levadas como mercadoria para fora do estado. Foi o caso de Graziela de Souza Godoy Pereira, contado na última semana pela reportagem.
Ao contrário da jovem gravataiense que conseguiu escapar do casebre onde era mantida em cárcere até viajar para a cidade onde seria obrigada a se prostituir, Graziela – que desapareceu em março de 2006, não teve a mesma sorte, e sua localização é desconhecida desde então.
Grupo organizado
A quadrilha era hierarquicamente organizada, possuindo desde aliciadores, que entravam em contato com os pais, principalmente de famílias em situação de pobreza, até mesmo os “mulas”, responsáveis por levar as jovens até seus “compradores”, como no caso do casal Adão Ribeiro Rood e Sandra Campos, que em 2007 foram presos e confessaram os crimes contras as menores da região, inclusive a compra de Graziela, que conforme Adão, foi levada até o interior de São Paulo.
Ao todo, cinco pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil e denunciadas pelo Ministério Público (MP). No entanto, o caso se arrasta e a pandemia contribuiu para que o processo, que deverá levar os cinco ao banco dos réus, impediu o prosseguimento, deixando impune, até o momento, uma rede que aterrorizou a Região Metropolitana.
Caso se arrasta
Mesmo com o desmonte da quadrilha em 2007, o caso só foi parar no Ministério Público (MP) em 2015. Porém a dificuldade inicial, segundo o promotor José Roberto Taborda Masiero, era por conta da citação processual dos acusados, além da soltura dos mesmos, o que coloca o caso, mesmo grave, atrás dos demais processos nos quais os réus aguardam presos o julgamento.
“Este fato ocorreu anterior a minha chegada. Só tive conhecimento quando de fato assumi na cidade. No ano passado em fiz um pedido para imprimir celeridade, tendo em vista que é um fato grave cometido por estes. Em fevereiro, quando achamos que as coisas iam andar, veio a pandemia, atrasando ainda mais.
Além disso, tem prioridade julgamentos nos quais os denunciados estão presos, por isso este caso demorou. A citação, a comunicação dos réus neste processo também acarretou no atraso, tendo em vista que alguns não residem no estado’, explicou o promotor.
Masiero reforçou que o caso é prioridade para o MP, que agora fará uma nova manifestação para que o caso seja julgado, já que em 2019 todos os réus foram citados, ou seja; notificados da denunciação. Perguntado, o promotor nao acredita que o caso prescreva: “Acredito que não seja possível, tendo em vista a gravidade dos fatos. Eles respondem por formação de quadrilha, exploração sexual. Acreditamos na condenação dos réus”, finalizou.













