EXCLUSIVO | Cantora e compositora negra e trans, moradora de Gravataí, é uma das grandes promessas da cena musical no Rio Grande do Sul. No artigo, o jornalista apresenta o perfil dessa revelação da música contemporânea.
Cantora e compositora residente em Gravataí, negra e trans, vê seu talento ganhar cada vez mais seguidores nas redes sociais e uma legião de fãs por onde passa, especialmente na capital dos gaúchos. Jessie Jazz está se tornando, inegavelmente, símbolo e uma bandeira na luta contra a transfobia e o racismo.
Um sábio cancionista alagoano cantou em meio a tantos sucessos “Jaaaazzzzz, tocarei seu nome pra pode falar de amor”… Mal sabia ele que tal frase deve e pode servir muito bem para uma dócil, talentosa e engajada artista.
Se você é o típico gravataiense que deixa sua cidade natal rumo a Porto Alegre para dar manutenção à sua condição de entusiasta das artes e boêmio confesso, certamente já deve ter se deparado com essa menina negra, que ostenta um imponente black power, é detentora de um sorriso acolhedor. Com uma guitarra em punho ou de posse de um contrabaixo, ela exibe um talento incontestável pelos bares do reduto da boemia porto-alegrense. Jessie apresenta uma genuína timidez e uma visível simpatia, típica de muitas divas negras.
Mesmo sendo moradora de Gravataí, a cantora vê sua arte tendo a merecida notoriedade na capital gaúcha. A artista raramente toca na cidade onde reside e até então poucas pessoas sabem que aqui temos uma nova promessa da cena musical do estado.
Prodígio, a multiartisTRANS possui apenas 20 anos, sendo sete deles dedicados à carreira artística, na qual transita com desenvoltura entre jazz, R&B, soul e vertentes da música black e psicodélica. Iniciou a trajetória musical como integrante da Orquestra Jovem do Sesi Gravataí. Jessie foi ainda vocalista e instrumentista das bandas Garnet Bluzers e Ventiladores de Teto.
Hoje, atua em carreira solo e seu sonho, a cada dia, fica mais próximo, com o primeiro álbum de canções autorais sendo gravado em breve. A artista também empresta seus multitalentos a vários projetos e bandas do Rio Grande do Sul. A parceria para shows vem agregando bagagem de palco e conhecimentos musicais.

No dia 21 de julho, a cantora, que fez parte do projeto a “A voz suprema do samba é a liberdade”, teve a música “Nesse meu samba” – da qual participa com a consagrada cantora e compositora Marietti Fialho –, disponibilizada no perfil Mundo de Tempo, no Instagram e no YouTube. A canção, que combina elementos do samba com o rock, é uma homenagem a Elza Soares e fala de diversidade, superação e enfrentamento de desafios de modo singular.
O projeto musical, que visa dar voz às mulheres negras e pessoas ligadas ao movimento LGBTQIAP+, foi idealizada pelo compositor Edison Guerreiro. Ele já contou com outras artistas negras atuantes no estado, entre as quais Nega Jaque, 50 Tons de Preta, Raquel Leão, Valéria Barcellos e atriz e cantora da Aldeia Glau Barros.
Também na semana passada, Jessie Jazz aproveitou o ensejo e lançou seu primeiro single: “João“. A música é de sua autoria e está disponível em todas as plataformas digitais. Aliás, quando o assunto é movimento e musicalidade, ela demonstra agilidade, engajamento, além de ser alguém que não deve e nem pode desperdiçar oportunidades. Sendo assim, nesta terça-feira (25/7), a jovem artista será a atração da canja musical do aniversário de 24 anos do Sarau Elétrico, no Ocidente.
A maturidade musical é algo que artistas vão conquistando ao longo do tempo e da carreira, a cada novo trabalho ou a cada luta que a arte trava diariamente entre nossos sonhos utópicos e as duras realidades. Jessie Jazz, tocarei seu nome pra poder lutar contra o preconceito, o racismo, a transfobia ou qualquer outra forma de segregação que possa ser combatida com altivez, talento de sobra e muita luta diária! Essas vem sendo suas armas e ferramentas: sua voz e seu brado contra toda e qualquer manifestação preconceituosa.
Djavan tinha mesmo razão: “ouro de mina, coração, desejo e sina, tudo mais pura rotina… A luz de um grande prazer é irremediável neon”… Sendo assim, teimo em dizer e desejo muita luz no teu caminho, Pérola Negra!















