Na última segunda-feira (18), um jovem de 17 anos foi resgatado pela Polícia Civil de um cativeiro em Gravataí, após ser mantido algemado por 24 horas. A operação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Viamão segue desvendando o sequestro, enquanto as investigações buscam rastrear todos os envolvidos e entender como a quadrilha estruturou o crime.
De acordo com a delegada Jeiselaure de Souza, que lidera o caso, um dos suspeitos presos admitiu que a vítima estava sendo monitorada pela quadrilha há quase um mês. As redes sociais do jovem, filho de uma família proprietária de um atacado comercial, foram usadas para vigiá-lo. O crime foi desencadeado quando ele anunciou a venda do carro da família, um Golf, com a aprovação dos familiares.
A armadilha foi armada no Lago Tarumã, onde o jovem, mesmo sendo menor de idade, dirigiu até o local para encontrar os supostos compradores. Ele foi rendido por dois homens que se passaram por policiais civis e transferido para outro veículo, enquanto o Golf foi abandonado. Segundo a delegada, o objetivo principal era extorquir a família, e não o roubo do carro.
O sequestro enfrentou problemas na execução. O carro dos criminosos quebrou, impossibilitando deslocamentos e obrigando o grupo a manter o jovem em um casebre localizado em um matagal de Gravataí. Apesar das condições precárias, a vítima recebeu comida e água durante o cárcere.
A quadrilha enviou apenas uma mensagem à família, sem fazer um pedido formal de resgate. O texto, enviado via WhatsApp, dizia: “Boa noite, estou passando essa mensagem para avisar que seu moleque está em lugar bem tranquilo e não foi maltratado. Até agora está bem. Só o que peço é que desde já não envolva polícia… e ninguém mais nesse assunto. Amanhã entramos em contato com a família de novo.” Familiares pediram uma foto do jovem, mas não obtiveram resposta.
As buscas começaram imediatamente após o desaparecimento ser reportado. Por 40 horas, os agentes trabalharam sem descanso, identificando que o dispositivo usado para a comunicação estava vinculado a um presidiário em Charqueadas. O detento e outro suspeito preso já foram indiciados por extorsão, mas outros integrantes da quadrilha ainda são procurados.
A delegada destaca que a investigação continua, com esforços concentrados em desvendar o planejamento detalhado e capturar todos os responsáveis pelo sequestro.















