A Recicla Mais, de Gravataí, recebeu nesta semana a primeira licença ambiental do Rio Grande do Sul para a atividade de tratamento térmico para borracha. Desde 2017, a empresa familiar, que conta com três pavilhões no Distrito Industrial, recicla pneus inservíveis e destina os resíduos, que são transformados em matéria-prima para outras atividades econômicas. De acordo com uma das administradoras, Laura Panzer, atualmente a Recicla Mais tem capacidade de coleta e processamento de mais de 100 toneladas de pneus por dia.
Com apoio de uma frota própria com mais de 15 caminhões, a coleta dos pneus é realizada diariamente no município. Além disso, há ecopontos nas cidades de Urussanga e Palhoça, em Santa Catarina, e no Estado em Passo Fundo, Xangri-lá e Pelotas. “Temos capacidade para coletar e processar mais, porém, a principal dificuldade é a falta de apoio. O ideal é que pudéssemos contar com a conscientização da população e de prefeituras quanto a necessidade de fazer a destinação desses pneus, e também com a fiscalização do poder público para orientar que borracharias, auto center e empresas deem o destino correto para esse resíduo, sabendo que a lei determina que a responsabilidade é compartilhada”, afirmou.
Até receber essa nova licença, Laura conta que a Recicla Mais realizava três procedimentos de reciclagem considerados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) como eficientes no processo de destinação. No primeiro deles, os pneus podem ser triturados e o material é enviado para coprocessamento e usado como combustível alternativo. Em outro processo, são produzidos granulados da borracha, que posteriormente serão utilizados em campos de gramado sintético ou podem servir para a fabricação de tapetes e outras peças. Os pneus também podem ser transformados em lâminas, que são utilizados, por exemplo, para fabricação de percintas de sofás.
Novo método é mais sustentável
O novo método de aproveitamento dos pneus, que acaba de receber a licença da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), vem sendo estudado pela empresa há pelo menos seis anos. Denominado de pirólise, ele é mais sustentável, limpo e eficiente. “É um processo que veio do exterior e consiste em transformar o pneu em matéria-prima reutilizada, inclusive podendo gerar um novo pneu. É um método que não gera resíduos”, explicou Laura. Deste processo também resulta um gás que pode ser utilizado para a alimentação do próprio maquinário e, o excedente, passa por um processo de lavagem e purificação. Para a gestora, a licença é considerada como uma vitória. “Idealizamos e sonhamos por muito tempo com a implantação deste novo processo. Exigiu muito trabalho e dedicação para cumprir todas as etapas do licenciamento”, completou.
A Licença de Operação foi entregue aos gestores da empresa pelo Secretário de Desenvolvimento do RS, Ernani Polo, que enalteceu o método de reciclagem. “O processo desencadeia um efeito ambiental significativo e segue um dos habilitadores do Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do RS, que é a área de recursos naturais, o que promove a redução do impacto ambiental”, afirmou Polo. O diretor técnica da Fepam, Gabriel Ritter, ainda enalteceu que a licença ambiental é uma conquista da empresa, que investiu em tecnologia, em estudos e em pesquisas para atingir todos os padrões de exigência de emissões, buscando resíduo zero dos seus processos.














