O filme Elize: Sombras de uma Mulher, um dos mais assistidos da Netflix desde a estreia, voltou a despertar o interesse por uma história que marcou o noticiário brasileiro. Antes de se tornar conhecida pelo assassinato do empresário Marcos Matsunaga, em 2012, porém, Elize Araújo Giacomini passou por Gravataí em um dos momentos mais difíceis de sua adolescência.
O episódio ocorreu em 1996, quando ela tinha 15 anos. Depois de fugir de casa, em Chopinzinho, no interior do Paraná, Elize percorreu centenas de quilômetros até chegar ao Rio Grande do Sul. Segundo a biografia Elize Matsunaga – A Mulher que Esquartejou o Marido, do jornalista Ulisses Campbell, ela chegou a Gravataí após conseguir carona com pelo menos dois caminhoneiros que faziam o trajeto entre os dois estados.
Sozinha, sem dinheiro e vivendo em situação de rua, a adolescente acabou inserida em um ambiente de exploração sexual às margens das rodovias. Conforme o livro, ela foi agenciada para a prostituição e localizada durante uma operação da Polícia Rodoviária Federal voltada ao combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Na época, a operação também abrangia a ERS-118, rodovia que concentrava intenso fluxo de caminhões e era conhecida pela existência de pontos de prostituição e casas noturnas ao longo do trecho que corta Gravataí e municípios vizinhos. O cenário era alvo frequente de ações policiais e de órgãos de proteção à infância.
Durante o julgamento de Elize, realizado em 2016, a passagem por Gravataí voltou a ser mencionada. Em depoimento ao Tribunal do Júri, a tia da ré, Roseli de Araújo, afirmou que a sobrinha fugiu de casa após sofrer abusos sexuais praticados pelo padrasto e foi encontrada em Gravataí. Segundo ela, a família já suspeitava da violência antes mesmo da confirmação.
“A gente desconfiava disso quando ela fugiu, porque, por mais que houvesse dificuldades em casa, ela não sairia. Como ele sempre estava em casa e ela ficava sozinha com ele, pensamos que pudesse ser isso. Mais tarde, ela confirmou”, declarou durante o julgamento.
Há, no entanto, uma diferença entre as versões sobre quem realizou o atendimento. Enquanto o livro de Ulisses Campbell atribui a localização da adolescente à Polícia Rodoviária Federal, o depoimento da tia aponta que Elize foi encontrada pelo Conselho Tutelar de Gravataí.
Depois de retornar ao Paraná, Elize refez a vida. Formou-se técnica em enfermagem, concluiu o curso de Direito e trabalhou como assessora parlamentar antes de se mudar para São Paulo. Mais tarde, passou a atuar como acompanhante de luxo e conheceu Marcos Matsunaga, herdeiro da Yoki.
Os dois se casaram e tiveram uma filha. Em maio de 2012, após descobrir uma traição do marido, Elize atirou contra o empresário dentro do apartamento onde viviam, na capital paulista. Em seguida, esquartejou o corpo e espalhou os restos mortais em diferentes pontos da Grande São Paulo. O crime teve ampla repercussão nacional e levou à condenação dela, em 2016, a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.














