O aleitamento é um dos momentos mais sublimes na relação entre mãe e bebê, pois, além da alimentação, fortalece vínculos. Dados da Pesquisa Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, do Ministério da Saúde, apontam que cerca de 50% dos bebês se nutrem exclusivamente de leite materno até os seis meses de vida. A meta é ampliar essa porcentagem para 70% até 2030. Para alcançar esse objetivo, porém, é importante explicar o que é e qual a importância do aleitamento materno.
Tudo começa ainda durante a gestação. As mamas passam por diversas mudanças e, em algumas gestantes, já é possível notar o colostro, o primeiro leite. Ele é mais amarelado e produzido em pequena quantidade, mas muito rico em nutrientes e fatores de proteção. Depois do parto, principalmente após a saída da placenta, ocorre a mudança hormonal que faz a produção de leite aumentar. Por isso, colocar o bebê para mamar o quanto antes é tão importante.
O leite materno é um alimento completo e tem uma peculiaridade: ele vai mudando ao longo do crescimento do bebê. Nos primeiros dias é o colostro, depois o leite de transição e, por fim, o leite maduro. Essas três fases fornecem nutrientes, água e também componentes que ajudam na proteção contra infecções. Por isso, a recomendação é que seja alimento exclusivo nos primeiros seis meses de vida, sem água, chá ou outros líquidos, salvo orientações específicas da equipe de saúde.
A mãe não precisa fazer uma dieta cheia de restrições durante a amamentação. O mais importante é ter uma alimentação variada, equilibrada e beber bastante água. O principal estímulo para produzir leite é a própria sucção do bebê: quanto mais eficiente e frequente for esse processo, maior será o estímulo para a produção. Nesse período, é recomendado evitar bebidas alcoólicas e não exagerar na cafeína.
Após os seis meses de vida, o leite materno pode e deve continuar presente na alimentação. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é manter esse hábito até os dois anos ou mais. Portanto, não existe um momento específico para interromper o aleitamento. O importante é que essa decisão seja feita com informação e sem culpa.
Pai também tem papel importante
Apesar de não poder amamentar diretamente, o pai deve dar o suporte necessário. Trocar fraldas, dar banho no bebê, ajudar a acalmá-lo nos momentos de choro, cuidar da casa e permitir que a mãe consiga descansar e se alimentar são atitudes importantes que auxiliam no processo de amamentação. Sem falar no apoio emocional. Muitas vezes, a mãe precisa mais de acolhimento do que de palpites. Ter alguém que incentive e diga “estou aqui para te ajudar” pode fazer muita diferença nesse período.
No Curso de Pais do Hospital Dom João Becker, procuramos tratar essas questões de uma forma leve, prática e bastante didática. Utilizamos bonecos e modelos de mamas, que ajudam os futuros pais a visualizar melhor a anatomia e entender como funciona a amamentação. Também contamos com a participação de colegas das áreas de Nutrição e Fonoaudiologia, para ampliar as orientações e abordar questões mais específicas, como a pega, a sucção e o frênulo lingual (membrana que conecta a parte inferior da língua ao assoalho da boca e que pode interferir na sucção). É uma oportunidade de esclarecer dúvidas e até mitos sobre a amamentação.
Dicas para quem vai amamentar
Busque informação durante a gestação, mas não exagere na autocrítica. É importante saber que os primeiros dias podem ser desafiadores e que mãe e bebê estão aprendendo juntos. Conhecer a importância da pega, saber onde buscar ajuda e conversar com profissionais durante a gravidez são atitudes que ajudam bastante. E, principalmente, não tenha vergonha de pedir ajuda. Amamentar é um gesto carregado de significados, que ficam marcados na memória. É o amor transmitido na forma de alimento.
*Samyra Reis é enfermeira do Centro Obstétrico do Hospital Dom João Becker. Ela foi a convidada do programa Papo de Saúde de terça-feira (11/8).
Clique aqui e confira a entrevista completa, transmitida pelo Instagram do Giro de Gravataí.













