A terceira edição do Live Rock Festival foi realizada no último domingo (27/8), em Cachoeirinha. Foi o primeiro evento presencial do projeto, que reúne diversos artistas locais. Desta vez, a programação teve caráter solidário, ajudar o músico gravataiense Deivid Borba, que teve equipamentos e instrumentos furtados há algumas semanas. O evento reuniu aproximadamente 500 pessoas e contou com diversas atrações que convergiam em um único sentido, o Rock ‘n’ Roll.
Enquanto me dirigia para o festival, que foi realizado no Pátio 115, pensava na pauta do dia, na vida e em como combater aquele frio dominical e, posteriormente, musical, quando um episódio nunca antes visto por mim, vinha em minha direção. Pasmem! Era um carro na contramão, no sentido Porto Alegre/Litoral. Houve tempo tão somente para que eu desviasse do infrator motorista. Não fiquei sabendo o desfecho desta atípica aventura. Mas tomei aquele assustador episódio como um presságio para as fortes emoções que viriam naquela tarde.
Na minha chegada, fui recepcionado por uma trupe de barbudos, envoltos a jaquetas de couro e outras indumentárias e as suas típicas “caras de mau”, mas que também deixam transparecer toda a genuína simpatia que possuem. “Cara de mau” que é quebrada com largos sorrisos, diga-se de passagem. Pude perceber que o público era concebido das mais diversas idades e, sendo assim, havia pais, filhos, tios na mais perfeita harmonia, comprovando definitivamente que conflito de gerações era “coisa da sua vó”, como dizia uma longínqua propaganda televisiva.
Ingressei no espaço de forma discreta, sem ser percebido por ninguém, e, no palco, ouvia-se os acordes da música “Eu também vou reclamar”, do Maluco Beleza. A primeira atração do evento foi o experiente Tom Amorim. O artista possui, inclusive, um projeto consolidado de cover do Raul Seixas. “Festival que inicia com Amorim, certamente terá um bom fim”, disse eu a mim mesmo, profetizando. Em seguida foi a vez da banda StrangeWays 80’s subir ao palco pra destilar sua artilharia musical oitentista com clássicos do pop rock nacional e internacional. Contaram ainda com a participação do baterista Dezinho. Na sequência, a banda Icona Rock fez jus ao nome e contemplou ícones rock, como Red Hot, Queen e o rei Elvis Presley.
Era chegada a hora do rock gaúcho ganhar um capítulo à parte naquele gélido domingo e a história começou a ser escrita pela banda Los CaraDuras, que chamou ao palco Tavinho Fumagalli, ex Bandalheira. “As sementes que amanhã brotaram, detonando o Rock ‘n’ roll…”, bradou ele do alto do palco para uma plateia sedenta, que o ovacionava a cada nova canção.

No cair da noite e da temperatura, o clima no espaço seguia aquecido por um público que estava gostando muito de vivenciar aquele momento histórico para a cena musical local. Uma das atrações mais aguardadas por mim, dada minha ligação com a banda original, Engenheiros de Gravataí desfilaram os grandes hits da icônica banda porto-alegrense e me surpreenderam exponencialmente, assim como ao público.
A semelhança da voz do vocalista Daniel Buzato impacta os atentos ouvidos. Você acredita estar ouvindo o próprio Humberto. Além de contar com a semelhança do timbre de Gessinger, Daniel ainda possui uma competente banda. Os hits Gessingerianos foram quebrados com participação de Valdi Dalla Rosa, baixista da banda Rosa Tattooada, muito procurado pelos fãs para selfies. O músico Peter Krummen foi convidado, ou melhor, convocado musicalmente para subir ao palco e mostrar alguns hits do pop rock nacional e internacional ao melhor estilo voz e violão. Resultado? Fez todo o público cantar em uníssono.
A banda New Wave 80’s trouxe clássicos do pop eletrônico e fez muita gente cair na pista ao som de Depeche Mode, Madonna e Erause, entre outros artistas internacionais dos anos 80. A picardia e o humor também deram o ar da graça no festival. Donos de um sarcasmo muito peculiar, a Diablo F. Show foi a penúltima atração a ingressar no palco. Utilizando-se de um ácido humor para tratar de temas pertinentes e sérios, eles fazem da sonoridade do blues grass infernal ou country acelerado e descomprometido, algo muito permissivo e inovador.
A última e mais aguardada atração do evento foi o verdadeiro motivo da terceira edição deste festival: o aniversariante da noite, Deivid Borba. O músico apresentou hits Legionários, causando uma comoção coletiva. Deivid provocou um bom exercício de memória ao me fazer cantar na íntegra a interminável história de “Faroeste Caboclo”. E cantou a melhor versão que já ouvi, aliás. O gravataiense conta com uma competente banda: Renan Dias, na guitarra, Ricardo Vívan, na bateria, e Dio Dio Bass, no baixo. Em tom de despedida e com discurso muito emocionado por aquela verdadeira celebração da vida, da solidariedade e da música, entoou a esperançosa canção “Mais uma vez” e fez com que todos compreendessem a proposta daquele festival.
“Tempo Perdido” ensaiou o término daquele show, mas os pedidos de bis fizeram com que o músico retornasse ao palco para encerrar o Live Rock Festival ao som de “Camila, Camila”, da banda porto-alegrense Nenhum de Nós. “Mostramos força, união e empatia. Emoção, parceria, gratidão e esperança é o que melhor definem este dia. Eu renasço por conta do meu aniversário e pela realização deste lindo evento”, diz Deivid Borba sobre a demonstração de solidariedade dos seus colegas e amigos. Assim como ele cantou, “quem acredita, sempre alcança, quem acredita sempre alcança”… Eu acredito, valei-me Deus!
O evento foi uma realização do Estúdio OverDrive, em parceria com a Confraria das Máquinas e o Bar do Lado.
Fotos: André Valdez














