Quando o primeiro Chevrolet Celta saiu da linha de produção da recém-inaugurada fábrica da GM em Gravataí, em 2000, nascia mais do que um automóvel popular. Nascia também uma nova identidade para o município, que aos poucos se transformaria em um dos principais polos industriais do país. Simples, carismático e acessível, o Celta conquistou os brasileiros e se tornou o grande símbolo de uma Gravataí que acelerava rumo ao protagonismo nacional na indústria automotiva.
O modelo foi lançado oficialmente no dia 2 de setembro de 2000, apenas dois meses após o início das operações da fábrica. Com projeto inteiramente desenvolvido no Brasil, o Celta era compacto, leve e econômico, características que logo o tornaram um sucesso de vendas. Nas ruas, virou presença constante; nas famílias, o primeiro carro de muitos brasileiros. Para Gravataí, representou a concretização de um novo ciclo econômico, com geração de empregos, modernização da infraestrutura urbana e visibilidade nacional.


Baseado na plataforma do Opel Corsa europeu, o Celta chegou ao mercado com motor 1.0 de 60 cv e um dos preços mais competitivos da época: cerca de R$ 14 mil. Em pouco tempo, ganhou versões 5 portas, motores mais potentes, opção flex e séries especiais que marcaram época, como a “Off-Road” e a “Piquet”. A produção, que começou com 10 mil unidades mensais, chegou ao auge em 2010, com mais de 155 mil unidades vendidas em um único ano.
Durante 15 anos de fabricação, o hatch atingiu a marca de 1,5 milhão de unidades produzidas, consolidando-se como um dos maiores sucessos da Chevrolet no Brasil. Boa parte dessa trajetória aconteceu em Gravataí, onde o modelo foi o primeiro passo de um plano industrial que colocaria a cidade definitivamente no mapa da indústria automotiva.

O encerramento da produção, em 2015, abriu caminho para os sucessores Prisma e Onix, que herdaram o legado do “filho de Gravataí”. Hoje, o Complexo Industrial Automotivo de Gravataí (CIAG) celebra 25 anos com capacidade para produzir até 380 mil veículos por ano, após sucessivas expansões e investimentos bilionários que fortaleceram ainda mais o papel da cidade no setor.
Ao completar 25 anos da fábrica da GM, o Celta segue presente na memória coletiva — seja pelas versões despojadas, pelo painel simples com velocímetro solitário, ou pelo fato de ter sido o primeiro carro de muitos. Um verdadeiro xodó nacional que ajudou a transformar a realidade de uma cidade inteira.
Ciclos de investimentos
A trajetória da planta da GM em Gravataí também é marcada por ciclos contínuos de investimentos e expansão. Inaugurada em julho de 2000 com capacidade inicial de 120 mil veículos por ano, a unidade recebeu, em 2004, seu primeiro grande aporte: US$ 240 milhões voltados à ampliação da fábrica e à produção do novo sedã Prisma, lançado dois anos depois.
Com isso, a capacidade anual saltou para 230 mil unidades. Em 2010, foi anunciada a segunda expansão da planta, com investimento de R$ 1,4 bilhão para viabilizar a fabricação do Onix, que chegaria ao mercado em 2012, elevando a capacidade para 380 mil veículos/ano.
Já em 2017, a montadora confirmou novo investimento de R$ 1,4 bilhão para atualização da linha de produção e desenvolvimento dos modelos Onix e Onix Plus. Mais recentemente, em 2024, a GM anunciou um novo aporte de R$ 1,2 bilhão para modernização da planta, com foco na futura produção de um novo modelo compacto, previsto para 2026, além da atualização do portfólio atual do complexo.















