Admirador da cultura e história do Rio Grande do Sul, Marcelo Souza da Fontoura aprendeu cedo a respeitar e valorizar as tradições gaúchas. Ainda na infância descobriu seu talento para a música, conquistando uma importante premiação com apenas 13 anos. Na época, ele venceu o concurso de Melhor Gaiteiro da Califórnia Petiça de Uruguaiana, cidade onde nasceu.

De lá pra cá, a carreira artística foi lhe trazendo oportunidades. Vários grupos de Porto Alegre, região e até mesmo de fora do estado o contrataram para apresentações. Integrou conjuntos como Grupo Bororé, Tranco Gaúcho, Tranco Campeiro, Marca Fandangueira, Eco de Liberdade, Os Farrapos e Grupo Tchê Galpão – este último do Mato Grosso.
O gaiteiro participou de diversos festivais nativistas, conheceu muitas cidades até a estrada o trazer para Gravataí, município em que reside há oito anos. Aqui, ele retomou um projeto no qual havia sido pioneiro na cidade natal: a realização de cultos campeiros. Cristão, Marcelo revela que recebeu um chamado de Deus para falar do Evangelho e percebeu que o tradicionalismo, que tanto o orgulha, poderia ser uma ferramenta nesse propósito.
“Quando olhava para o cristão e o gaúcho, via uma lacuna criada por homens que não entendiam nossa cultura, e então a criticavam. Pela linha católica, eu já tinha presenciado, quando pequeno, a missa crioula. Mas quando olhava pelo lado protestante, não via nada que aproximasse o gaúcho do Evangelho. Então entendi o chamado para desfazer barreiras e dizer a todos os gaúchos que Cristo nos ama mesmo andando a cavalo, de bombacha e lenço no pescoço”, explica o músico, hoje mais conhecido como Pastor Marcelo Gaúcho.
Os cultos campeiros em Uruguaiana começaram em 2009 e eram transmitidos numa rádio local. Quando se mudou para Gravataí, o pastor notou que havia espaço nestes “pagos” para cerimônias religiosas com esse formato. Mais uma vez, ele foi pioneiro com a criação do Piquete Vaqueanos de Cristo, que sedia toda quinta-feira, a partir das 20h, um culto campeiro, com transmissão ao vivo pelo Facebook e canal do YouTube do Pastor Marcelo Gaúcho.
Segundo o pastor, nos últimos anos tem crescido a participação de igrejas em eventos e projetos tradicionalistas, o que mostra a identificação da comunidade com a evangelização aliada à cultura gaúcha. Ele relata que no culto campeiro há momentos de oração, louvor, pregação, além, claro, de entretenimento e músicas de ritmos gauchescos com letras sacras – algumas composições são autorais e Marcelo Gaúcho recebe convidados. Na ocasião, também é servida comida campeira. A visitação ao piquete ocorre mediante agendamento. Interessados em conhecer, podem entrar em contato com o pastor pelas redes sociais.
Admiração pelas tradições
Ao conversar com o Giro de Gravataí, Pastor Marcelo Gaúcho exaltou o quão fascinante considera a cultura gaúcha. “Nossa cultura é respeitada e admirada pelo mundo. E só quem morou fora do Rio Grande do Sul para saber o que significa estar longe desta terra querida e abençoada por Deus. Nosso churrasco é diferente; nossa garra é diferente; nosso chimarrão é muito mais que uma água quente no porongo com erva. Dentro dessa miscigenação de raças, somos um povo diferenciado. Nosso passado diz quem somos”, relata.
Fotos: Divulgação















