Na noite de quinta-feira (1/8), o palco do Teatro do Sesc Gravataí recebeu 55 jovens talentos, em dois espetáculos que marcaram o encerramento da Oficina de Teatro Expressão e Criatividade, ministrada pelos atores Henrique Gonçalves e Julia Kieling. A turma infantil apresentou a peça “Casamento na Roça”, enquanto os adolescentes fizeram o “Show de Improvisos”, com temas sugeridos pela plateia.
Desenvolvido especialmente para proporcionar ao público infantojuvenil um espaço para expressão que estimule a sensibilidade, criatividade e o trabalho em equipe, bem como contribua para o autoconhecimento corporal, lógico e emocional, o curso de teatro auxilia também os alunos a superar a timidez ao falar em público.
“É um projeto pelo qual tenho muito carinho, e já acontece há dez anos. E eu, como professor e artista, acredito que fazer teatro é importante para o desenvolvimento, tanto pessoal como artístico das pessoas. Esse trabalho faz com que as pessoas se descubram em outras atividades, outros lugares, não somente para a atividade artística”, explica o professor Henrique Gonçalves.
A contribuição da oficina para desinibição é destacada por muitos alunos, como Giulia Rafaela Pereira da Rosa, de 13 anos, que faz aulas de teatro com Henrique e Julia desde 2022. “Eu comecei no teatro porque era muito tímida, eu não conseguia conversar, olhar nos olhos das pessoas e o teatro me ajudou a desenvolver muito”, relata a adolescente, que integrou o Time Rosa no Show de Improvisos, espetáculo no qual a equipe que perdia a rodada levava torta na cara.
Giulia Rafaela recorda que sua estreia no palco, há dois anos, foi desafiadora, porém a medida em que venceu os medos, teve uma sensação muito boa por conseguir fazer algo que até então não se imaginava capaz. “Na minha primeira cena, eu travei, junto com uma colega minha. Não conseguia fazer nada. Fiquei em desespero! Com o tempo, fui aprendendo que o teatro não é um lugar onde eu vou ser julgada. É um lugar onde eu vou ser acolhida”, afirma. “Meu sonho é ser atriz e eu espero continuar no teatro a vida toda!”, comenta com entusiasmo.
O teatro também trouxe transformações para Isabella Andrade de Menezes, de 10 anos, que fez suas primeiras aulas no ano passado. Ela admite que inicialmente achava que não seria uma boa ideia participar da oficina, pois sentia vergonha de falar para grande público. Fazia dança, mas as apresentações praticamente não tinham falas. Contudo, o teatro a conquistou e fez com que perdesse a timidez.
A menina ressalta que a estreia no palco do Sesc, na edição anterior do projeto, foi incrível. “Foi divertido! Eu consegui me desenvolver muito. Por causa do balé, eu consegui fazer o personagem muito bem, porque era um bobo da corte. Assim, eu conseguia erguer as pernas, virar estrelinha, fazer pirueta”, recorda.
Dedicada aos ensaios, nos quais até as bonecas viram personagens para a preparação, a também blogueira Bella Andrade interpretou desta vez a “Mulher Misteriosa”, que interrompe o casamento na roça porque o noivo já tinha se comprometido a casar com ela. O sucesso do espetáculo foi mais uma motivação para a aluna continuar fazendo teatro. “Provavelmente eu vou fazer a oficina de final de ano também. Gostei muito!”, frisa.
Com apenas 7 anos, Maria Clara Matos Fagundes da Silva já concluiu a segunda oficina de teatro. Participou das aulas em 2023 e interpretou uma “irmã má” na peça “Cinderela”, apresentada pela turma infantil. No espetáculo “Casamento na Roça”, a menina representou uma “mulher fofoqueira”.
Também inclinada a continuar participando das edições da Expressão e Criatividade, Maria Clara revela que tem seguido à risca as dicas. “O que o professor Henrique mais diz é para falar alto e articulado”, comenta. A aluna também salienta que estar no palco é cada vez mais divertido. “No primeiro espetáculo, eu estava bem nervosa. Entrei em cena e quase paralisei, mas comecei a fazer tudo certo. Lembrei do meu texto, falei e interpretei”, comemora.
Assim como Bella Andrade, da turma infantil, a adolescente Ysabelli Vieira dos Santos, de 14 anos, iniciou na dança e hoje também faz teatro. Essa foi sua primeira participação na Oficina Expressão e Criatividade. “Eu sempre quis ser atriz, fazer filmes, novelas e espetáculos. E encontrei esse lugar maravilhoso, com dois professores que amo, o Henrique e a Julia”, declara a jovem, acrescentando que o teatro é benéfico em vários aspectos. “Ajuda pessoas que têm vergonha de falar em público. Não importa a tua carreira, o que vai ser no futuro, o teatro é essencial para muitas coisas”, aponta.
Ysabelli, que planeja seguir carreira nas artes cênicas, já foi destaque em alguns espetáculos, entre os quais o Natal Luz de Gramado. Ela participou da audição para compor o elenco do tradicional espetáculo natalino em 2022, quando cerca de 200 pessoas concorriam a 40 vagas. Somente uma criança seria selecionada, mas houve uma exceção e duas foram aprovadas, possibilitando que seu talento como bailarina também pudesse encantar o público do evento. No ano passado, a jovem fez parte do grupo de atores, protagonizando o espetáculo.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí





















