“Muitas pessoas sabem que existe o Mato do Júlio, em Cachoeirinha, mas sequer imaginam que há uma comunidade indígena vivendo ali”. A afirmação da socióloga e agente cultural Andresa Paiva esclarece um dos principais propósitos do documentário “Tekoa Karanda’ty: Retomando Raízes”: dar visibilidade à comunidade Guarani Mbya que reside e luta para permanecer no local, no qual há uma ação para reintegração de posse.
O filme foi lançado neste sábado (24/8), na Escola Estadual de Ensino Médio Presidente Kennedy (Polivalente de Cachoeirinha), com a presença de estudantes, indígenas e a população em geral que apoia a permanência da Tekoa Karanda’ty na propriedade. Além da exibição, ocorreu bate-papo e uma feira de artesanato com peças produzidas pelos guaranis. Contemplado em edital municipal com recursos da Lei Paulo Gustavo, o projeto foi desenvolvido por uma equipe que incluiu indígenas e circulará por outras escolas.
Andresa, que é a diretora do documentário, dedica-se atualmente a produções audiovisuais e nessa, especificamente, constatou a necessidade de tornar a existência da comunidade Guarani Mbya do município mais conhecida para ajudar os cerca de 70 residentes na área. Ela relata que se aproximou deles no ano passado, quando atuava junto ao Sindicato dos Municipários (SIMCA), e viu que carecem de coisas básicas, não tendo acesso a água potável, por exemplo. Além disso, embora estejam autorizados judicialmente a permanecer no Mato do Júlio, estão apreensivos quanto à ação de reintegração de posse, sendo o apoio da sociedade em geral bem-vindo.
“Não há como falar da preservação do Mato Júlio e não pensar na permanência da comunidade que vive ali. São os indígenas os maiores defensores da natureza. Então esse projeto nasce como uma ferramenta educativa e de luta para que os moradores de toda a região conheçam a realidade deles”, salienta Andresa. Ela revela que o projeto contemplado previa visitação a cinco escolas de Cachoeirinha, porém mais de 75 instituições de todo o estado já manifestaram interesse em receber o grupo para conhecer a história dos Guarani Mbya. Com isso, será necessário um planejamento para verificar como atender o maior número de pessoas.
As imagens para o documentário começaram a ser captadas em janeiro deste ano. Após, o coletivo realizou a tradução dos depoimentos (coletados em guarani) e demais processos até a edição final. O filme será disponibilizado no YouTube neste domingo (25/8) – você poderá assistir neste link. No Instagram @retomandoraizes é possível conferir como foram as etapas de produção e acompanhar as novidades do projeto. A comunidade também tem um perfil: @tekoakarandaty.
Documentário Tekoa Karanda’ty: Retomando Raízes
Ficha técnica
Direção: Andresa Paiva
Assistente de direção: Julia Davila
Assessoria de projeto: Julia Wunsch
Produção: Pedro Benites e Mauricio Acosta
Captação de imagens: Andresa Paiva e Mario Leão
Piloto de drone: Mario Leão
Editor: Mario Leão
Designer gráfico: Luisa Leão
Tradutor Guarani: Maurício Acosta e Pedro Benites
Tradutor de Libras: Raphael Sansão
Fotos: @retomandoraizes


















