A história de uma cidade não está apenas nos livros, documentos oficiais, fotografias antigas ou prédios preservados. Ela também está nas vozes de seus moradores, nas lembranças transmitidas entre gerações e, cada vez mais, nas produções audiovisuais que registram personagens, lugares e manifestações culturais.
Gravataí possui um interessante conjunto de documentários e minidocumentários disponíveis gratuitamente na internet. São produções realizadas em diferentes momentos e por diferentes autores e instituições, abordando temas como o Rio Gravataí, as origens indígenas, a presença açoriana, a população negra, o patrimônio arquitetônico, o futebol, os antigos cinemas e as manifestações da cultura popular.
Pensando nisso, a coluna Giro de Gravataí reuniu algumas produções que ajudam a conhecer e compreender diferentes capítulos da trajetória gravataiense. Não se trata de uma lista definitiva, mas de um convite para assistir, conhecer e preservar nossa memória.
Gravataí, um Rio em Minha Vida
Produzido em 2013, com direção de Amon da Costa e Andrei Fialho, o documentário apresenta o Rio Gravataí a partir das memórias de pescadores, esportistas, moradores, agricultores e ambientalistas. Em vez de observar o rio somente pela perspectiva ambiental, a produção procura revelar sua dimensão humana e cultural: causos de pescadores, momentos de lazer, dificuldades, pesquisas e lembranças daqueles que construíram parte de suas vidas às margens de suas águas.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=qbxoTHCL7WA&t=11s
Gravataí Missioneira – Origens
A produção aborda as raízes históricas da antiga Aldeia dos Anjos, destacando especialmente a presença indígena e a formação histórica do território. A Cruz Missioneira aparece como símbolo dessa memória e da relação entre as raízes indígenas e portuguesas presentes na construção histórica de Gravataí.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=T7pVdHXhh5Y&t=1063s
Restauração do Casarão da Casa dos Açores do RS
O documentário acompanha a história e a recuperação do casarão que atualmente abriga a Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (Caergs). Construído em 1877 por Manuel Rodrigues da Fonseca, o imóvel atravessou diferentes períodos da história da cidade, sofreu um longo processo de degradação e esteve ameaçado de desaparecimento. Salvo e posteriormente restaurado, tornou-se um importante espaço de preservação e divulgação da herança açoriana em Gravataí.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=kwqc_zTNEJQ
Casarão dos Bina
Outro patrimônio arquitetônico da cidade é apresentado neste minidocumentário dedicado ao Casarão dos Bina. A produção acompanha a trajetória e a restauração da construção luso-açoriana, recuperada para assumir uma nova função como espaço cultural e lugar de preservação das memórias e tradições locais.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=-yLRbD5OXUA
Memória Hidrográfica – Bacia do Gravataí
Produzido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, o documentário apresenta a Bacia Hidrográfica do Gravataí e iniciativas voltadas à recuperação e conservação do rio e de suas nascentes. É uma produção importante para compreender como história, ocupação territorial e preservação ambiental estão diretamente relacionadas.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=5kU9wU7qRP4&t=7s
Pelas Salas de Cinema de Gravataí: uma história
Em aproximadamente 20 minutos, o documentário percorre parte da história das salas de cinema que marcaram Gravataí durante o século XX. Um dos pontos altos é a conversa com os irmãos Celso e Itamir Fonseca, ligados ao Cine Metrópole, importante cinema de rua da cidade. A produção resulta de uma parceria entre o historiador, músico e escritor Carlos Albani e o produtor audiovisual David Peçanha.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=sCi1b_02e_E
Roteiro das Iaiás – Quilombo Manoel Barbosa
Neste minidocumentário, as mulheres do Quilombo Manoel Barbosa assumem o protagonismo da narrativa. Elas compartilham memórias, vivências, lutas, sonhos e saberes, permitindo conhecer uma dimensão fundamental da história da população negra gravataiense. A produção tem direção e edição de Giulliano Pacheco e roteiro de Carlos Albani.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=wT82yhUUVvE&t=455s
Olhos de Anastácia: Conexões Quilombolas
O documentário estabelece uma conexão entre mulheres do Quilombo da Anastácia e do Quilombo Manoel Barbosa. A partir de suas narrativas, recupera histórias familiares e de antepassadas, evidenciando resistência, ancestralidade e a luta das comunidades quilombolas pela permanência em seus territórios.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=BeleGwliax0&t=22s
Cerâmica: o jogo da vida
O futebol também faz parte da construção da identidade gravataiense. Este documentário acompanha o Cerâmica Atlético Clube no período de sua profissionalização, nos anos de 2006 e 2007. O trabalho foi realizado por alunos de Jornalismo da Unisinos, com direção de Andrei Fialho e Halder Ramos, sob coordenação do professor Léo Nunes.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=DHdPWlbp7uM&t=958s
O Rio que Você Bebe – 1994 e Olhos de Hortência
A preocupação ambiental com o Rio Gravataí também aparece em produções mais antigas. O Rio que Você Bebe, de 1994, e Olhos de Hortência foram produzidos pela APN-VG e constituem registros audiovisuais importantes da mobilização ambiental em torno do rio.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=Nwly5-ampiA
Terno de Reis – Uma tradição de fé
Produzido em 2025 e dirigido por Claudia Ávila, o documentário registra a tradição do Terno de Reis em Gravataí, contribuindo para a preservação audiovisual de uma manifestação ligada à religiosidade e à cultura popular da cidade.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=bzjce3613RI
Seis de Maio: 69 anos de história e resistência
O minidocumentário recupera a trajetória do Clube Social Negro Seis de Maio, espaço fundamental para a sociabilidade e a cultura negra de Gravataí. A narrativa atravessa diferentes gerações, recordando bailes, futebol, carnaval, concursos de beleza negra, ações de solidariedade e personagens que fizeram da entidade um importante espaço de resistência, convivência e afirmação cultural.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=kw0MKNTHN8Q
Memórias de uma Aldeia dos Anjos
Fechando esta seleção, Memórias de uma Aldeia dos Anjos integra esse importante esforço de registrar em audiovisual diferentes aspectos da memória gravataiense. A produção reúne uma equipe responsável por roteiro, direção, imagens, edição, produção e acessibilidade, ampliando o conjunto de fontes audiovisuais disponíveis para quem deseja conhecer a cidade.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=BJgy2WekXng
Uma cidade também preservada em imagens
Assistidos em conjunto, esses filmes formam uma espécie de mosaico audiovisual da história de Gravataí. O indígena, o açoriano e o negro; o rio e o patrimônio; o futebol e o cinema; a religiosidade e as manifestações populares aparecem como diferentes fios de uma mesma construção histórica.
Para professores, estudantes, pesquisadores ou simplesmente para quem gosta de Gravataí, são materiais que merecem ser conhecidos. Alguns possuem caráter mais histórico, outros ambiental, memorialístico ou cultural, mas todos ajudam a registrar experiências que poderiam desaparecer com o passar das gerações.
Preservar a história não significa apenas guardar aquilo que é antigo. Significa também registrar as memórias do presente para que elas possam ser conhecidas no futuro. Nesse sentido, cada documentário é uma pequena janela aberta para Gravataí uma cidade que pode ser lida nos documentos, observada nas fotografias, contada pelos seus moradores e, felizmente, também assistida na tela.
Boa sessão e boa viagem pela história de Gravataí!
*Amon da Costa é professor, historiador e escritor.













