A partir de sexta-feira (1º), a Caixa Econômica Federal passará a adotar novas regras para o financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Entre as mudanças, destaca-se a limitação de R$ 1,5 milhão para o valor dos imóveis financiáveis, além da redução do percentual de financiamento para 50% no modelo de Tabela Price e para 70% no Sistema de Amortização Constante (SAC).
Essas alterações exigirão que os compradores aumentem o valor de entrada, impactando a aquisição tanto de imóveis novos quanto usados. Antes, a instituição permitia o financiamento de até 70% do valor total no sistema Price e até 80% pelo SAC, sem limite de valor para o imóvel financiado.
Para exemplificar, em um imóvel avaliado em R$ 500 mil, um mutuário poderá financiar apenas R$ 250 mil pelo modelo Price, necessitando de uma entrada de R$ 250 mil. Já no sistema SAC, o financiamento máximo será de R$ 350 mil, com uma entrada de R$ 150 mil. Essas mudanças são aplicáveis a imóveis residenciais, comerciais e lotes urbanos, exceto para unidades habitacionais vinculadas a empreendimentos já financiados pela Caixa.
O corretor Cássio Argondizo alerta que essas alterações podem afetar os processos de financiamento em andamento. “Isso complica bastante, especialmente para quem já tem uma pré-aprovação”, comentou ao Sul21. Ele acredita que as novas exigências impactarão todas as classes sociais, incluindo aqueles que buscam imóveis de menor valor, e projeta uma possível migração para bancos privados, embora esses também tenham aumentado suas taxas.
Argondizo aponta ainda que o aumento nas exigências pode levar investidores a repensarem a aplicação de recursos no mercado imobiliário. “Muitos estão preferindo manter seus investimentos no sistema bancário, evitando custos com IPTU e condomínio”, observa.
Como alternativa, Argondizo sugere a carta de crédito, que pode oferecer taxas mais vantajosas em comparação às dos bancos privados para quem não tem pressa na compra.
Em nota, a Caixa afirma que “estuda constantemente medidas para ampliar o atendimento à demanda por financiamentos habitacionais”, destacando o crescimento da demanda imobiliária e o aumento nos saques da caderneta de poupança, principal fonte de recursos para empréstimos habitacionais. Em setembro, os saques líquidos da poupança somaram R$ 7,1 bilhões, segundo o Banco Central.
No acumulado de 2024, a Caixa já destinou R$ 175 bilhões ao crédito imobiliário, crescimento de 28,6% em relação ao ano anterior, atendendo a 627 mil contratos de financiamento.
Programa Minha Casa, Minha Vida não será afetado
As mudanças, contudo, não afetam o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), cujas condições permanecem inalteradas por serem lastreadas pelo FGTS. Beneficiários do MCMV continuarão a ter acesso a subsídios, taxas reduzidas e a possibilidade de composição de renda para o financiamento.














