Fundada há 16 anos e destaque em vários eventos culturais da região, a Trupi di Trapu lançará em breve seu novo trabalho: um espetáculo teatral de rua inspirado no livro infantojuvenil “O Lanceirinho Negro”, da escritora Angela Xavier, de Gravataí. O projeto é viabilizado com recursos de edital do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural (Fumproarte) de Porto Alegre, onde está sediada atualmente a companhia de teatro de bonecos.
Três apresentações serão promovidas na capital, em novembro, porém os artistas também pretendem circular por outras cidades, incluindo Gravataí e Cachoeirinha, que já recebe os ensaios, na Escola de Dança Criativus.
Segundo o fundador da Trupi di Trapu, o ator e bonequeiro Anderson Gonçalves, o novo espetáculo é fruto do desejo do coletivo em criar uma apresentação que oportunize o resgate ancestral, a difusão de conhecimento e a aproximação das novas gerações com a cultura e a história negro-brasileira. Ele também aponta que a encenação “O Lanceirinho Negro” propõe o resgate da memória heroica negra, enfatizando uma visão positiva quanto à representatividade dos lanceiros.
“É uma fala necessária, são heróis. Não queremos focar no massacre, nas mortes, mas na bravura, na luta por algo que eles sabiam que era maior do que eles. E que se perpetuou, mesmo com a tentativa de apagamento histórico. As histórias chegaram até nós. Aquela semente que eles plantaram, germinou. E nós somos os frutos”, declara Anderson, que integra o elenco ao lado de Bruno Fernandes, Jane Oliveira e Yannikson.
Além da importante temática, o trabalho baseado na obra de Angela Xavier é pioneiro em alguns aspectos para a Trupi di Trapu. Será o primeiro espetáculo produzido pelo grupo especialmente para apresentações em espaços públicos (principalmente praças). Também é o primeiro do coletivo com assinatura feminina na direção (Mayura Matos e Jane Oliveira). “É ainda um espetáculo em que vamos retomar a questão da acessibilidade integrada à dramaturgia, nesse caso com intérprete de Libras”, antecipa o fundador do coletivo artístico.
Na apresentação, os artistas vão trabalhar com elementos culturais que remetem à tradição negro-gaúcha, tais como atabaque, samba de roda, sopapo e cabubu. “Ao pensar num espetáculo que traz, no centro de sua encenação, um personagem jovem e negro com orgulho das suas raízes e que, acima de tudo, reconhece a luta e a força de seus antepassados, o coletivo Trupi di Trapu se conecta com as vivências negras das novas gerações, estimulando os saberes, as potências e os protagonismos diversos. Ao dialogar com o público infantojuvenil, a proposta se expande para uma experiência pluridimensional, rica em cultura e história africana, afro-brasileira e gaúcha”, relata a companhia em apresentação do projeto.
Ficha técnica
Atuação: Anderson Gonçalves, Bruno Fernandes, Jane Oliveira e Yannikson
Texto original: Angela Xavier
Direção de cena: Mayura Matos
Dramaturgia, criação coletiva e direção musical: Jane Oliveira
Tambores: Luthier Maskote
Intérprete de Libras: Ketelin Oliveira
Assessoria de imprensa: Sílvia Abreu
Figurinos: Mari Falcão
Bonecos, máscaras e adereços: Anderson Gonçalves
Identidade visual: Alisson Affonso
Produção: Trupi di Trapu
Abordagens no espetáculo “O Lanceirinho Negro”
– Reverência à ancestralidade;
– Redescobertas corporais através de estímulos rítmicos, jogos e brincadeiras afrorreferenciadas;
– Conexão com sonoridades e instrumentos de origem africana e afro-brasileira;
– Arquétipos dos orixás na corporeidade dos atuadores;
– A importância do fortalecimento identitário desde pequeno/a, afim de estimular o orgulho aos próprios traços e cores;
– O estímulo à luta contra o preconceito racial através de símbolos e memórias.
Foto: Divulgação














