
O que era para ser um trabalho de conclusão de curso de um estudante de Gravataí rompeu as fronteiras do Brasil e conquistou prêmio na República Checa, uniu um casal e pode virar uma série. “Mikaela, personagem que dá nome à obra, é uma ceifadora, sua missão é facilitar ou arrastar para o além as almas das pessoas que morreram.
Definido como “protótipo de uma série”, o curta foi criado, roteirizado e dirigido por Guilherme G. Pacheco, em sua conclusão do curso de Produção Audiovisual na PUCRS. O trabalho “não foi pensado para festivais”, revelou Pacheco, “geralmente filmes para festivais são mais artísticos”. Mas superando o plano, Mikaela recebeu o prêmio de Melhores Efeitos no Festival Internacional de Cinema Mensal de Praga, em que também foi indicado nas categorias de Melhor Curta Universitário e melhor edição.
O curta também está entre os finalistas em duas categorias do CawCine, festival nacional de cinema organizado pela CAW Produções. Além de disputar o prêmio de Melhor Produção, o filme pode ter Andressa Matos, que interpreta a protagonista, vencendo como Melhor Atriz.

Filosofia, Morte e Comédia
À reportagem do Giro de Gravataí, o cineasta revelou que o plano inicial não era uma série, mas um longa, com uma proposta completamente diferente. “Seria um filme em que a Morte encontra uma criança. Seria algo para falar sobre o peso da imortalidade. Mesmo sendo imortal, ela teria que levar uma pessoa que ela ama. Seria a condenação de ter o poder sobre a vida e a morte”.
Com o tempo, a ideia foi sendo alterada, mantendo a essência das discussões que Pacheco queria apresentar, mas ficando mais leve e pensada para o grande público. “Eu sinto que eu faço as minhas criações muito através de uma ótica também comercial, de alinhar as coisas que eu acredito, que eu quero fazer, com as coisas que as pessoas queiram ver e que eu acredito que possa vender”, relatou.

O gravataiense acredita que existe um preconceito forte com obras comerciais e um apreço grande por obras artísticas, no entanto, ele busca criar histórias que as pessoas queiram ver. “Vou fazer algo filosófico, algo artístico, a minha história. Mas vou colocar ação e comédia, quero que as pessoas assistam”.
Por isso, Mikaela aborda temas complicados, mas com humor. “A gente acredita que a parte da comédia ajuda a levar a história, que tem um tom pesado, fala de morte, busca passar mensagens de superação, aceitação do passado e do futuro”, analisou.
Parte da maneira do autor ver o mundo, a história não foca nas causas das mortes dos personagens que são levados pelos ceifadores. “Tem pistas pelo ar, mas nem para mim é algo tão certo. Na filosofia deles, não importa. É até uma filosofia minha. Quando alguém morre, eu evito perguntar como ela faleceu. É uma infelicidade, independente do que aconteceu, e as pessoas terão que superar. O porquê não pode ser mais importante do que o acontecimento em si”, refletiu.
Pacheco faz questão de ressaltar que o universo de Mikaela e os seus personagens foram criados em parceria com seu sócio, Guilherme Carlotto. “Ele não estava presente no curta por não ser aluno da PUCRS, mas a história que produzimos é baseado nesses personagens e universo que ele está criando junto comigo.
O desafio de transformar o protótipo em série
Mesmo chamando a atenção de críticos, sendo reconhecido em festivais, o protótipo ainda tem um caminho difícil até virar série. Entre as dificuldades, a principal é a financeira. Segundo Pacheco, para produzir uma série com oito episódios de 21 minutos cada um, mesmo com um orçamento enxuto, é necessário um investimento entre R$ 800 mil e R$1,2 milhão.

Para transformar o sonho em realidade, a primeira etapa é conseguir apoio para transformar o protótipo em um episódio piloto, que ajudará a produtora de Pacheco e Carlotto a apresentar a obra a parceiros para realizar a série.
Neste sentido, Pacheco ressalta a importância dos festivais. “Por mais que não tenha sido pensado para participar. A validação por um júri, que não tem qualquer envolvimento com o projeto, nos ajuda a buscar recursos e também gera uma exposição maior na mídia”, avalia.
Quem quiser acompanhar o andamento do projeto, pode seguir o perfil do cineasta no Instagram: @gui_patcheco
Casal formado pelo filme

Na história, Mikaela e William, seu parceiro no trabalho de ceifador, não têm aproximação romântica. Mas na vida real, Andressa e Bruno Krieger (ator que interpreta William), já vivem mais do que uma amizade, revelou Pacheco.
“Dá para chamar de fofoca, mas é interessante. A química entre os atores escolhidos pra dupla protagonista foi tão boa, que depois das gravações, ele mantiveram contato como amigos e agora estão namorando”, entregou o cineasta.













