Um dos crimes mais perturbadores já investigados em Gravataí completa cinco anos sem respostas. O caso de Soraia de Araújo Veras, cujo corpo foi desenterrado e violado no Cemitério Municipal do Rincão, permanece sem culpados, deixando marcas profundas em seus familiares e na comunidade.
Soraia, de 49 anos, havia falecido em 9 de novembro de 2019, vítima de uma doença degenerativa. Foi sepultada no dia seguinte, em 10 de novembro. Na manhã do dia 11, uma ligação anônima para a irmã de Soraia informava que o corpo havia sido encontrado fora do túmulo, sem roupas. Funcionários do cemitério localizaram o cadáver cerca de 100 metros distante do local de sepultamento, em uma clareira na vegetação ao redor.

Laudos periciais posteriores comprovaram a presença de sêmen no corpo da vítima, indicando a natureza hedionda do crime. Soraia havia sido enterrada em uma cova simples, e o fato de o túmulo ser recente facilitou a ação criminosa. A polícia encontrou impressões digitais em partes do caixão quebrado e marcas de pés na terra revirada, mas essas evidências não resultaram no avanço das investigações.
As suspeitas
Os familiares, que receberam a ligação anônima, suspeitam que o crime possa ter ocorrido antes de os funcionários localizarem o corpo. O telefonema sugeria que o corpo seria enterrado novamente, porém, o autor da chamada nunca foi identificado.
Apesar de mais de 30 pessoas terem sido ouvidas, incluindo funcionários do cemitério e possíveis predadores sexuais da região, ninguém foi incriminado. O material genético do agressor foi inserido no então incipiente Banco de Perfis Genéticos do Rio Grande do Sul, que contava com apenas 4 mil perfis na época. No entanto, nenhuma correspondência foi encontrada.
Denúncias anônimas e testemunhos de pessoas próximas à vítima foram investigados, mas todos os suspeitos tinham álibis que os isentavam de qualquer envolvimento no crime. A falta de câmeras de segurança no local na época dificultou ainda mais o trabalho da polícia.
Traumas
No dia em que o corpo foi encontrado, a família de Soraia inicialmente acreditou que ela pudesse ter retornado à vida e saído do caixão, mas logo o choque da violência sofrida se transformou em um pesadelo. Desde então, o trauma causado pelo crime ainda assombra os familiares. A filha de Soraia, que dependia de cuidados especiais devido a uma síndrome rara, morreu no mesmo ano, e os parentes acreditam que o ocorrido tenha agravado sua condição de saúde.
Em aberto
Desde 2019, o caso de Soraia de Araújo Veras não teve avanços significativos. Periodicamente, novos perfis genéticos são inseridos no banco de dados do estado, mas nenhum se mostrou compatível com o DNA do agressor. Essa prova genética continua sendo a principal pista que pode levar à captura do criminoso, que ainda permanece impune.














