A primeira edição da série Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade, divulgada pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS), que analisa o desempenho da economia gaúcha nas últimas duas décadas em comparação com os demais estados brasileiros, aponta que o Rio Grande do Sul registrou o menor índice de crescimento econômico do Brasil nas últimas duas décadas.
Segundo o levantamento, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu apenas 34% em pouco mais de vinte anos, percentual inferior à média nacional, de 58%, e também abaixo dos resultados dos estados vizinhos. Santa Catarina apresentou expansão de 65%, enquanto o Paraná registrou crescimento de 55%.
O estudo mostra que a perda de dinamismo também se reflete na renda por habitante onde, no mesmo período, o PIB per capita do Rio Grande do Sul avançou 24%, desempenho superior apenas ao de Santa Catarina, que registrou alta de 19%. No Paraná, o crescimento foi de 31%, impulsionado principalmente por ganhos de produtividade.
De acordo com a pesquisa, enquanto Santa Catarina expandiu sua economia apoiada no crescimento populacional e o Paraná aumentou a renda por meio de ganhos de produtividade, o Rio Grande do Sul não conseguiu se destacar em nenhum desses fatores. Além disso, a vantagem de produtividade que o Estado possuía em relação à média brasileira no início dos anos 2000 praticamente desapareceu ao longo das últimas duas décadas.
O levantamento aponta ainda que a produtividade do trabalho no Rio Grande do Sul cresceu, em média, 0,65% ao ano entre 2002 e 2023, abaixo da média nacional, de 0,94%. Segundo os pesquisadores, esse cenário preocupa diante do envelhecimento da população gaúcha, que tende a reduzir o potencial de crescimento baseado apenas na ampliação da força de trabalho.
Para o diretor executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino, o principal desafio do Estado é encontrar um novo motor para sustentar o crescimento econômico.
“Nas últimas duas décadas, o Estado não contou com o impulso demográfico observado em Santa Catarina nem com os ganhos de produtividade que marcaram a trajetória do Paraná. Com uma população envelhecendo e um crescimento demográfico cada vez mais limitado, a produtividade deixa de ser apenas um indicador econômico e passa a ser a principal condição para ampliar renda, competitividade e bem-estar”, afirma.
A pesquisa inaugura uma série de estudos que deverá aprofundar, nos próximos meses, temas como produtividade, mercado de trabalho, demografia e estrutura econômica do Rio Grande do Sul. O objetivo é identificar os fatores que fizeram o Estado perder competitividade e apontar caminhos para retomar uma trajetória sustentável de crescimento econômico e aumento da renda da população.
*Informações: Fecomércio-RS. Foto: Accor.















