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Home Polícia

Sete meses depois, predador sexual que retirou corpo de cemitério em Gravataí segue à solta

Jornalismo - Giro de Gravataí por Jornalismo - Giro de Gravataí
10 de junho de 2020
em Polícia
Sete meses depois, predador sexual que retirou corpo de cemitério em Gravataí segue à solta

Cova rasa facilitou a retirada do corpo de Soraia, que em seguida foi arrastada até um matagal que cerca o Cemitério do Rincão. Foto: Polícia Civil/RS

Completando sete meses hoje (10), desde o enterro de Soraia de Araújo Veras, de 49 anos, que teve seu corpo retirado de dentro do caixão, no Cemitério Municipal do Rincão, e que foi vítima de necrofilia (uso de um cadáver como objeto sexual), o caso segue sem elucidação. A Polícia Civil de Gravataí esgotou praticamente todos os meios de apuração, após a oitiva de diversas pessoas, além da análise de documentos, levantamento da vida e rotina da vítima e de familiares, diligências e laudos que chegavam do Instituto Geral de Perícias (IGP). Mesmo assim, o caso segue em aberto, sem suspeitos.

Era manhã de segunda-feira, um dia depois do enterro, quando familiares, avisados por um denunciante anônimo, retornaram ao cemitério para averiguar a informação de que o corpo de Soraia havia sido encontrado fora do caixão. Pensando em diferentes hipóteses, até mesmo de uma possível ressuscitação da irmã, os familiares chegaram e constataram a sepultura em que ela havia sido enterrada, violada.

Policiais da Delegacia de Homicídios também havia sido acionados. Foto: Giro de Gravataí/Especial

O caixão quebrado também apontava que algo de anormal havia ocorrido. No corredor, formado pelos lotes do cemitério, no qual as sepulturas são na verdade uma linha de tijolos e cerca de 20 centímetros de terra por cima do caixão, que ficam enterrados quase rentes ao solo, eles avistaram as peças de roupa de Soraia.

Há metros, em uma clareira no matagal que cerca o cemitério, encontraram o corpo da mulher, completamente nua. Inconformados, e assustados, até entenderem que a vítima não havia ressuscitado, conforme imaginou Jaqueline Veras, confrontaram os trabalhadores da empresa terceirizada da prefeitura, responsável pela manutenção do cemitério.

Incansável foi a investigação

Desde a descoberta do caso, policiais da 1ª Delegacia de Polícia de Gravataí trabalharam em diferentes hipóteses, ouviram mais de 20 testemunhas, entre funcionários e familiares, investigaram parentes e qualquer outra informação sobre o caso, mas sem sucesso. Ocorrências registradas pela Guarda Municipal e Brigada Militar (BM) também eram informadas aos investigadores, mas nenhum chegou à autoria do crime, considerado atroz.

Aposentada por invalidez devido a Síndrome de Raynaud, e com esclerose sistêmica, Soraia tinha apenas 40% da capacidade de um pulmão para respirar e viveu os últimos meses entre tratamentos e internações no hospital. Mesmo assim, policiais foram a fundo para saber se Soraia se relacionava com alguém, já que era mãe de uma menina de 9 anos, com paralisia cerebral, e que também acabou falecendo meses depois do caso.

A polícia também encaminhou nove pessoas para a coleta de material genético. Na época, o delegado Márcio Zachello, responsável pela investigação, explicou que execução era uma forma de descartar possibilidades e não acreditava que eles pudessem ser os responsáveis, já que todos se propuserem a fornecer o material, que depois foi confrontado com o Banco de Perfis Genéticos do RS para saber se o criminoso sexual já possuía histórico policial. Além disso, todos os funcionários que trabalham entre o domingo e a segunda do crime foram novamente ouvidos, mas não apontaram nada de diferente na rotina do cemitério.

Vestimentas da vítima foram sendo dispensadas no meio do caminho. Foto: Giro de Gravataí/Especial

Crime perverso

O crime chocou o Rio Grande do Sul, sendo destaque em jornais do Brasil inteiro. Até mesmo policiais experientes atestaram estarem diante de um caso macabro. A suspeita de um crime relacionado à rituais religiosos também foi levantada, mas descartada no decorrer das investigação.

Cerca de um mês depois do crime, o material genético coletado pelo IGP no corpo de Soraia atestou positivo. Além de ser desenterrada, retirada do caixão e arrastada para o mato, a vítima foi violentada e sofreu penetração vaginal e anal, conforme consta o laudo da perícia. Ainda de acordo com o delegado Zachello, o conteúdo encontrado em seu corpo ficará também em anexo no Banco de Perfis, esperando para confrontar com todo e qualquer pessoa que seja presa por crimes de cunho sexual.

Extra

A família suspeita que o crime já tenha ocorrido outras vezes, já que segundo a pessoa que ligou anonimamente informando sobre o corpo de Soraia, pediu brevidade dos familiares já que planejavam enterrá-la novamente para acobertar o caso.

Dois dias depois, Soraia recebeu um novo enterro, reservado aos familiares, mas que ocorreu no Cemitério Central.

A Polícia Civil esgotou todos os tipos de apuração no inquérito, que segue em aberto. A identidade da pessoa que fez a denúncia anônima à família também não foi esclarecida pela polícia.

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Tags: 1ª Delegacia de Polícia de GravataíCemitério do RincãoCrimeGravataínecrofiliaPredador sexualSoraia Veras
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