O Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí ampliou a mobilização nacional contrária à renovação das cotas de importação de veículos nas modalidades CKD e SKD, que têm validade até janeiro de 2026. Após encaminhar um documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice-presidente Geraldo Alckmin e a nove ministérios, o sindicato enviou nesta semana a mesma carta ao prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon, em busca de apoio institucional do município.
A iniciativa integra uma articulação nacional liderada por Miguel Torres, presidente da Força Sindical e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. Nesse movimento, o sindicato de Gravataí passou a atuar como protagonista, representando os trabalhadores da cadeia automotiva local em um debate que envolve política industrial, geração de empregos e competitividade do setor.
As modalidades CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) dizem respeito à importação de veículos desmontados total ou parcialmente, que chegam ao país apenas para a montagem final. Na avaliação das entidades sindicais, a ampliação desse modelo reduz etapas da produção nacional, enfraquece o setor de autopeças e limita a geração de empregos, uma vez que parcela significativa do valor agregado permanece no exterior.
Na carta enviada às autoridades, assinada pelo diretor administrativo Valcir Ascari, o sindicato alerta que a prorrogação das cotas representa risco direto à política industrial brasileira e às economias regionais fortemente ligadas à indústria automotiva, como é o caso de Gravataí. O documento também contextualiza o avanço dos veículos eletrificados no país, apontando que, até outubro de 2025, foram emplacadas 219 mil unidades, crescimento de 39% em relação ao ano anterior — movimento que, segundo o sindicato, exige maior internalização da produção e fortalecimento da cadeia local.
Estimativas apresentadas pelo sindicato indicam que a consolidação em larga escala do modelo CKD e SKD pode provocar uma retração de até R$ 97 bilhões no mercado nacional de autopeças em apenas um ano, além de uma queda aproximada de R$ 24 bilhões na arrecadação. O impacto no emprego também é apontado como um dos principais pontos de preocupação, com risco potencial de perda de 68 mil postos de trabalho diretos e cerca de 190 mil indiretos em toda a cadeia produtiva.
Ao acionar o prefeito Luiz Zaffalon, o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí busca ampliar o diálogo no âmbito local e reforçar a defesa da indústria instalada no município, dos investimentos produtivos já realizados e da preservação dos empregos, posicionando Gravataí no centro de um debate estratégico para o futuro da indústria automotiva nacional.













