“Inovar exige coragem, aceitar que vamos errar mais do que acertar e que é justamente dos erros que vem a aprendizagem. Não existe inovação sem experimentação e sem riscos”. Com esse relato, a empresária Carolina Chiao se direcionou aos participantes do Café com Negócios da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Gravataí (Acigra), que teve como tema central a inovação, especialmente nas áreas de recursos humanos, comercial e manufatura. O evento foi promovido na manhã desta quinta-feira (16/7), na sede da entidade, com a presença de dezenas de gestores e equipes de empresas locais.
Carolina Chiao, que é a vice-presidente da Indústria da Acigra, enfatizou que soluções inovadoras nascem, muitas vezes, de um olhar diferenciado para as dificuldades. Os cases em destaque nesta edição do Café com Negócios mostram isso. “O objetivo desse encontro é conhecer experiências, compartilhar boas práticas e nos inspirar em soluções para desafios semelhantes, entendendo, muitas vezes, que não são necessários grandes investimentos para gerar melhorias significativas”, disse antes da abertura dos painéis.
Na recepção aos empresários e colaboradores, a presidente da Acigra, Graziella Isoppo, também reafirmou o compromisso da entidade em promover eventos para conexões e compartilhamento de experiências, o que contribuiu para melhorias dentro das organizações. Representantes de seis indústrias apresentaram projetos de inovação durante o evento: Perto/Digicon, Metalúrgica Fimac, Hiperpan, Prometeon Tyre Group, Viemar Automotive e Marcher Brasil.

As palestras
Perto
O primeiro painel do Café com Negócios trouxe um case de cuidado e segurança com o trabalhador na Perto, empresa que atua no ramo da tecnologia em automação para bancos, varejo e transportes públicos. A palestra foi ministrada pela gerente de Recursos Humanos, Silvana Ribeiro. A profissional conta que entre 2023 e 2024, a companhia verificou que estavam ocorrendo muitos acidentes de trabalho com pessoas em período de experiência. Análises foram feitas para compreender possíveis causas e, assim, possibilitar um plano de ações para reduzi-los.
Uma das medidas foi a implantação do programa “Padrinhos: Colega Mentor”, no qual colaboradores receberam treinamento para auxiliar os recém-chegados na indústria. Os novos funcionários passaram a usar “jaleco amarelo”, uma forma de facilitar a identificação para que os mentores pudessem apoiá-los em caso de necessidade. As capacitações dos trabalhadores em período de experiência também incluem a apresentação do projeto.
Conforme Silvana, em um ano de projeto, houve 58% de redução dos acidentes de trabalho, o que evidencia o impacto positivo das ações, que também fortaleceram o relacionamento da equipe. “Hoje em dia está tão difícil captar profissionais nas nossas empresas, então precisamos pensar como engajá-los. Antes, falávamos muito em reter profissionais. Mas hoje só isso não é suficiente. Precisamos engajar”, comentou.
Fimac
A experiência de inovação da Fimac foi apresentada pela supervisora de Recursos Humanos, Márcia Oliveira. Ela aponta que a metalúrgica constatou como principais desafios atrair mão de obra qualificada, fortalecer a reputação da marca e melhorar a comunicação interna. Inicialmente buscou-se soluções para ampliar a visibilidade à empresa e o sentimento de pertencimento dos colaboradores. De acordo com a palestrante, muitas ações eram feitas internamente, porém não registradas. Quando as redes sociais passaram a ser usadas de forma mais estratégica, o cenário mudou.
“Pequenas ações fortaleceram o pertencimento à marca”, frisa Márcia, acrescentado que o site da Fimac foi repaginado, e com a contratação de uma equipe de marketing, o engajamento nas redes cresceu, com a interatividade dos colaboradores e familiares. Além disso, a medida contribui para contatos comerciais. A supervisora de RH destaca que promover atividades especiais para a equipe ampliou o índice de satisfação dos colaboradores – pesquisa indica que quase 95% afirmam gostar de trabalhar na instituição.
Hiperpan
Há cerca de um ano, a Hiperpan criou um setor de projetos, no qual práticas para inovação são desenvolvidas com vista à qualificação dos processos. O analista de projetos Guilherme Bello foi o responsável por compartilhar informações sobre esse trabalho no Café com Negócios. Assim como os demais palestrantes, ele descreveu os desafios enfrentados pela indústria que levaram à busca por soluções inovadoras.
Conforme Guilherme, a área comercial enfrentava dificuldades no que diz respeito à atuação do time externo. Faltava organização da rota de vendas, acesso a informações, rastreabilidade e controle de satisfação. Frente ao quadro, a Hiperpan desenvolveu um aplicativo de CRM, uma ferramenta que, por meio da inteligência artificial, gera dados em tempo real para vendedores, técnicos e gestores. Com a plataforma, a equipe trabalha de forma mais organizada, o que otimiza tempo e facilita a tomada de decisões por parte do gestor. A empresa também consegue desempenhar melhor o pós-venda, com uma pesquisa de satisfação.

Prometeon
A utilização de plataforma que traz uma visão multidisciplinar da produção, viabiliza o monitoramento dos estágios das ações, análises e a padronização de processos foi a experiência relatada pelo engenheiro mecânico William Altissimo, que atua como analista da área de eficiência de projetos da Prometeon. “Criamos um aplicativo que ajuda muito na gestão das ações”, explicou durante o painel.
A dificuldade da fábrica era a baixa capacidade de produção da rodagem (componente do pneu produzido na extrusora principal). Eram feitas 2 mil rodagens por dia, mas a demanda era de 2,6 mil. Suprir esse déficit implicaria em aumento do custo operacional, com maquinário secundário, turno adicional e mais operadores. Os departamentos de produção, manutenção, engenharia industrial e qualidade trabalharam juntos então para adoção de novos processos, planejados a partir da análise de dados em tempo real, disponíveis com uso da inteligência artificial. A inovação refletiu em bons resultados. Na palestra, William mencionou ganhos como ampliação do desempenho de 52,3% para 70% e uma economia anual de aproximadamente R$ 524 mil.
Viemar
Os engenheiros Deivison Schast e Dieferson Duarte, profissionais dos departamentos de Processos e Qualidade da Viemar, levaram à Acigra um case de inovação baseado na tecnologia, porém foram enfáticos ao declarar que o sucesso de uma empresa é proveniente da dedicação das pessoas. “Qualquer tecnologia só é implementada a partir do engajamento das pessoas. Cada colaborador é importante para o resultado da empresa”, salientou Dieferson.
Deivison exaltou na apresentação que a Viemar tem como referência um caminho de evolução para se tornar indústria 4.0 que começa com conectividade e passa por várias etapas até chegar à adaptabilidade. Partindo desse parâmetro que eles desenvolveram um programa (NeuroScan) para as principais “dores” da instituição: ausência de gravação a laser nas peças e de rosca laminada. Com projeção de custo elevado e implementação complexa, a alternativa foi buscar uma solução eficaz e economicamente viável. Assim, desenvolveram um produto próprio com a meta de atestar o desempenho e qualidade atribuídos à marca.
Marcher
Encerrando a série de palestras sobre inovação na indústria, a gerente de Supply Chainda Marcher Brasil, Glaucia Ziegler, descreveu como a empresa agiu para mudar dois aspectos: baixa produtividade e excesso de horas extras. A solução encontrada foi o controle do OEE, indicador de eficiência dos equipamentos, atrelada à implantação do Sistema de Execução da Manufatura (MES). Ela explica que hoje a tecnologia viabiliza obtenção de informações mais claras, precisas e de forma rápida, e acompanhar essa tendência no dia a dia é fundamental para empresas se manterem competitivas.
Com o sistema utilizado, a Marcher tem à disposição monitoramento em tempo real, consegue analisar performance e disponibilidade por linha e turno, entre outros dados que corroboram para melhoria contínua e, consequentemente, beneficiam a rentabilidade nos negócios. Nos últimos dois anos, as ações implementadas ampliaram o OEE de 47% para 72%. Já as horas extras tiveram redução de 70%.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí













