Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Porto Alegre condenou, na sexta-feira (31), um policial militar de Gravataí a 10 anos e 10 meses de prisão pelo homicídio de quatro homens da mesma família, crime ocorrido em junho de 2021 dentro de uma pizzaria na Zona Norte da Capital. A decisão prevê a execução imediata da pena e a perda do cargo público.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Francisco Lauenstein, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Conforme a denúncia, o réu, que estava de folga, invadiu uma residência onde ocorria uma confraternização familiar e agrediu uma jovem. Horas depois, ao ser confrontado por familiares da vítima em um estabelecimento comercial próximo, efetuou disparos à queima-roupa contra quatro homens desarmados, atingindo-os na cabeça.

As vítimas foram identificadas como Christian Lucena Terra, 33 anos, Cristiano Lucena Terra, 38, Alexsander Terra Moraes, 26, e Alisson Corrêa Silva, 28.
O Conselho de Sentença considerou o policial culpado por um homicídio privilegiado, três excessos culposos de legítima defesa e invasão de domicílio qualificada. O Ministério Público sustentou que os homicídios foram praticados por motivo torpe e que o comportamento do agente foi incompatível com a função pública, uma vez que ele teria se valido do treinamento e da arma da corporação para cometer o crime.
O promotor Francisco Lauenstein destacou que o caso foi “extremamente complexo”, envolvendo uma família humilde e trabalhadora, sem qualquer ligação com atividades criminosas. Ele ressaltou ainda que o vídeo usado como principal prova do processo estava incompleto, com falhas e trechos ausentes durante a ação. O Ministério Público informou que irá recorrer da decisão para buscar o aumento da pena aplicada.













