Sediada em Gravataí e com sua planta industrial em Sapiranga, ao longo da última década, a Carneiro Sul consolidou-se como protagonista no mercado brasileiro de carne ovina. A empresa se tornou referência em eficiência produtiva, inovação e competitividade, impulsionando o consumo e a presença do cordeiro nas gôndolas de supermercados de norte a sul do país.
A história da Carneiro Sul começou em 2006, quando os irmãos João Bernardo e Humberto, vindos do setor comercial, identificaram uma oportunidade no mercado de carne ovina a partir de experiências e conversas no campo e em rodeios. Partindo da comercialização de carcaças ovinas, a empresa foi conquistando clientes no varejo e no atacado, até adquirir sua própria planta frigorífica em 2010, um marco que permitiu a verticalização das operações e a consolidação de sua capacidade industrial.


Nos primeiros anos, a adaptação da planta exigiu investimentos significativos e adequações sanitárias. Entre 2010 e 2013, a empresa precisou conciliar a terceirização de abate com os custos de estruturação de sua unidade própria. Mesmo diante de desafios, a Carneiro Sul manteve o foco no longo prazo, consolidando a base para os próximos ciclos de expansão.
Nos anos seguintes, a empresa deu passos importantes em padronização de processos, controle sanitário e desenvolvimento de marca própria. Em 2018, a habilitação no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI) possibilitou a comercialização de carne ovina em todo o Brasil.

Os números refletem essa trajetória de crescimento: enquanto em 2018 a Carneiro Sul processava cerca de 24 mil ovinos por ano, recentemente esse volume ultrapassou as 50 mil cabeças, mais que o dobro em menos de uma década. Historicamente voltada para carcaças, a empresa hoje converte cerca de 80% de sua produção em cortes porcionados embalados a vácuo, alinhando-se às demandas modernas do consumidor urbano.
Do campo à gôndola: Estrutura, capacidade produtiva e eficiência como diferencial
Com o centro de distribuição em Gravataí respondendo pela comercialização e pelo relacionamento direto com clientes e a planta industrial em Sapiranga, a Carneiro Sul opera com média de abate de 300 cabeças diárias, em função da oferta de animais e da estratégia de mercado. A capacidade de câmaras frias e de armazenamento também foi ampliada nos últimos anos, refletindo o compromisso com eficiência logística e operacional.
Em um mercado competitivo, onde alternativas importadas, especialmente do Uruguai, ocupam espaço nas gôndolas, a rentabilidade depende dessa eficiência na otimização de processos e alinhamento com a cadeia produtiva. Esse foco se traduz em investimentos contínuos em tecnologia de produção, logística e relações com fornecedores. A parceria com produtores rurais é ampla: de 300 a 400 criadores fornecem animais para abate, selecionados com base em critérios de rastreabilidade e qualidade. Programas de confinamento e assistência técnica fortalecem a regularidade da oferta e a capacidade de atender grandes redes de supermercados e clientes de diversos estados do Brasil.

Visão estratégica diante dos desafios do mercado
O setor de ovinocultura no Brasil ainda enfrenta desafios estruturais, como a sazonalidade da oferta e a necessidade de maior escala produtiva. A Carneiro Sul entende que expandir o rebanho por si só não é suficiente; a chave está em elevar a proporção de animais que efetivamente chegam ao abate com padrões de qualidade adequados. Nesse contexto, práticas como melhoramento genético, manejo nutricional e planejamento de produção são foco de diálogo com produtores e consultores técnicos, conectando a empresa às melhores práticas de eficiência produtiva.
Ao mesmo tempo, a visão estratégica da Carneiro Sul mira a consolidação do cordeiro como proteína presente no consumo cotidiano, e não apenas em ocasiões especiais. A atuação integrada com o varejo, a adaptação ao comportamento do consumidor e a atenção às tendências globais de proteína animal mostram que a empresa pensa além da escala atual, mirando expansão sustentável e relevância no cenário nacional.

Um dos aspectos centrais da estratégia da Carneiro Sul é a adaptação ao perfil de consumo local e nacional. Enquanto cortes maiores, como pernil, paleta e costela representam cerca de 60% da carcaça, esses produtos muitas vezes enfrentam desafios na venda por seu valor no varejo. Por isso, a empresa optou por porcionar grande parte de seus cortes, facilitando a experimentação do produto pelos consumidores urbanos e ampliando a aceitação no ponto de venda. Ao diversificar o mix de produtos e ajustar o serviço ao varejo, a Carneiro Sul consegue atender perfis variados de consumo e reforçar sua presença em categorias competitivas.
Gravataí no centro da ovinocultura brasileira
Prestes a completar 20 anos, a trajetória da Carneiro Sul mostra como uma indústria regional pode evoluir para liderar um segmento inteiro. Por meio de foco em eficiência, integração com a cadeia produtiva, adaptação ao mercado e visão estratégica, a empresa se estabelece como peça fundamental na expansão da carne ovina no Brasil.
Mais do que números de abate, o impacto da Carneiro Sul está na transformação do produto em item acessível e competitivo, na profissionalização de processos e na construção de uma cadeia mais robusta — fatores que posicionam a ovinocultura brasileira em um novo patamar, com Gravataí como um dos seus principais polos.













