O cenário econômico do Rio Grande do Sul para 2026 segue apontando crescimento, mas em ritmo mais moderado. O Sistema Fiergs revisou de 2,9% para 2,2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho neste ano, refletindo os efeitos da estiagem, dos juros elevados e da desaceleração da atividade industrial.
A principal revisão ocorreu na agropecuária. A expectativa de crescimento do setor caiu de 17,6% para 9,5% devido às condições climáticas adversas, como irregularidade nas chuvas e temperaturas elevadas, que afetaram especialmente a produção de grãos no Estado.
Apesar do recuo nas projeções, o Rio Grande do Sul continua apresentando indicadores econômicos relevantes. Em 2025, o PIB gaúcho cresceu 0,9%, alcançando R$ 753,1 bilhões, sustentado principalmente pela indústria e pelos serviços, ambos com alta de 1,7%, mesmo diante das perdas provocadas pela estiagem.
Dentro desse cenário, Gravataí mantém posição estratégica na economia estadual, especialmente pelo peso da indústria local. Dados mais recentes do Novo Caged mostram que o município registrou saldo positivo de 98 empregos formais em abril de 2026, o equivalente a uma variação de 0,16% no estoque de vagas com carteira assinada.
O município contabilizou 3.066 admissões e 2.968 desligamentos no período, mantendo estoque ativo de 60.983 empregos formais. A indústria foi o principal destaque, com geração de 154 novos postos de trabalho, seguida pela construção civil, com saldo positivo de 38 vagas.
Embora a agropecuária tenha apresentado a maior variação percentual proporcional no período, com crescimento de 2,08%, o setor possui participação menor no volume total de empregos formais do município em comparação com a indústria e os serviços.
Principal ativo econômico de Gravataí, a indústria gaúcha mantém projeção de crescimento de 0,8% em 2026, segundo a Fiergs. Ainda assim, o setor segue pressionado por fatores como juros elevados, crédito restritivo, incertezas políticas e retração no mercado internacional.
Os números mostram também desaceleração no mercado de trabalho gaúcho. O Estado criou 46,9 mil vagas formais no primeiro trimestre de 2026, cerca de 20,3 mil a menos do que no mesmo período do ano passado. Na indústria, o cenário passou de geração de 18,4 mil empregos em 2025 para fechamento de 4,2 mil vagas no acumulado de 12 meses até março deste ano.
Mesmo assim, a expectativa é de que o Rio Grande do Sul encerre 2026 com saldo positivo de aproximadamente 40 mil empregos formais e taxa de desemprego de 4,5%.
O economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, destacou que a revisão das projeções busca oferecer maior previsibilidade para empresas e investidores diante das mudanças no ambiente econômico. Uma nova atualização das perspectivas para a economia gaúcha deve ser divulgada em agosto.
*Informações: Caged, Fiergs, IBGE. Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil.













