A Justiça condenou a proprietária da antiga Clínica Fênix, centro de reabilitação que funcionou de forma irregular em um sítio na Avenida Vânios Abílio dos Santos, em Gravataí, pela morte do skatista gaúcho Daniel Kauer, conhecido no esporte como Louvadeus. O caso ocorreu em julho de 2021 e ganhou repercussão estadual devido às circunstâncias da morte e ao histórico do atleta, figura conhecida do skate no Rio Grande do Sul.
A proprietária foi sentenciada a 3 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto pelos crimes de homicídio culposo e fraude processual, em razão da ausência de licenças para funcionamento, da falta de equipe técnica habilitada e do envolvimento em manobras para tentar ocultar o que realmente ocorreu no interior da clínica.
Daniel Kauer deu entrada já sem vida no Hospital Dom João Becker em 9 de julho de 2021. Pessoas que o levaram ao local afirmaram inicialmente que ele havia passado mal durante um churrasco com amigos, sem precisar o que poderia ter acontecido. A versão mudou ao longo dos depoimentos — as primeiras indicações apontavam para uma queda de escada —, mas as lesões encontradas não eram compatíveis com a narrativa.
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) abriu investigação e, com o avanço das diligências, surgiram relatos de internos que estavam na clínica na noite da morte. Eles revelaram que Kauer teve um surto e foi contido de forma improvisada pelos próprios colegas — alguns deles atuando como monitores, apesar de não possuírem formação técnica para isso.
Conforme as testemunhas, um golpe de mata-leão foi aplicado na vítima, que, mesmo imobilizada, acabou amarrada à cama. Um dos monitores teria tentado aplicar novamente o golpe, causando a asfixia que levou à morte do skatista. Também há relatos de administração de calmantes durante a contenção, levantando a hipótese adicional de overdose.
De acordo com o delegado Daniel Queiroz, responsável pelo caso, a clínica apresentava boa estrutura física, mas não possuía escopo técnico para atendimento de dependentes químicos, operando de maneira clandestina e sem profissionais habilitados. Essas condições, segundo o inquérito, foram determinantes para a morte de Daniel e fundamentaram o indiciamento da proprietária e de seu companheiro.
Homenagens
A morte de Daniel Kauer provocou comoção no meio esportivo. A pista de skate do Largo Rui Porto, em São Leopoldo, recebeu o nome “Daniel Kauer – Louvadeus” em cerimônia que reuniu amigos, atletas e autoridades locais. O skatista era considerado inspiração para jovens praticantes e figura de destaque no cenário estadual.
Após o anúncio da condenação, Simone publicou um desabafo nas redes sociais: “Hoje, após anos de dor, espera e luta, a Justiça finalmente reconheceu a verdade sobre a morte do meu filho Daniel Kauer. A responsável foi condenada pelos crimes de homicídio culposo e fraude processual, recebendo a pena de 3 anos e 2 meses em regime semiaberto. Nada traz o meu Daniel de volta, mas esta condenação representa um passo importante na busca pela verdade, pela dignidade dele e pela nossa paz.”















