Uma artista que deixou seu legado em Gravataí e região, Denise Pacheco Lopes, falecida em 2018, receberá uma homenagem especial da jornalista e escritora Jeane Bordignon. A autora iniciou recentemente a produção de um livro sobre a artista visual, professora, guia de turismo e idealizadora da série literária “Conhecendo Gravataí com Medonha”. A ideia é lançar a publicação em 2027, quando “Denise Medonha” – como era conhecida devido a popularidade do personagem infantil inspirado em si própria – completaria 50 anos.
Participante de diversos fanzines e coletâneas e autora de três livros – “Brado Carmesim” (poesia, 2014), “É mais simples do que parece” (novela, 2023) e “Pequenas Histórias” (contos, 2025) –, Jeane Bordignon conheceu Denise durante a cobertura de uma exposição. Identificadas com a área cultural, fãs de Frida Khalo e da Literatura, elas passaram a se encontrar em vários eventos. A amizade levou à proposta de uma parceria artística, mas que, infelizmente, não chegou a se concretizar. A jornalista desejava que a artista visual ilustrasse seu primeiro livro, porém antes da produção, Denise partiu precocemente.
“Denise Pacheco Lopes teve uma vida curta, mas intensa. Parecia até que ela conseguia estender o tempo e fazer seu dia ter mais horas. Artista desde que se entendia por gente, tornou-se professora e guia de turismo, participava do Clube Literário, foi Promotora da Paz, dava oficinas de arte e ainda conseguia vender doces. Quando assumiu o codinome Medonha, descobriu ainda mais facetas: escritora, contadora de histórias, livreira, criou um ateliê infantil, fazia pintura de rosto, fazia fantoches…”, descreve Jeane.
A jornalista destaca que a amiga era cativante e manter vivo seu legado é uma missão. “Transformei a história dela numa contação que inclui a série ‘Conhecendo Gravataí com Medonha’. E que termina com uma homenagem que sempre me deixa com um nó na garganta. Mas a Denise Medonha merece muito mais. Quero registrar as memórias que ela deixou por onde passou e naqueles que dividiram momentos com ela. Contar a história dessa artista que agitava a Aldeia tanto quanto amava essa cidade”, explica.
Para o livro, a escritora está coletando depoimentos. “Conta para mim suas memórias da Medonha? Como você a conheceu? Qual a principal lembrança? O que mais te marcou? Quero saber não apenas como era a artista, mas a amiga, a professora, a guia de turismo, a contadora de histórias, a mãe do Iberê Obi, a apaixonada pelas carreteadas, pelos doces, pela Frida Kahlo, pelo México, por cores e estampas de bolinhas”, pediu Jeane ao divulgar a iniciativa.
Se você deseja contribuir com lembranças sobre a Medonha, escreva para jeane.bordignon@gmail.com.
Depoimento pessoal da jornalista*
Conheci mais a Denise artista, a moça que gostava de desenhar os prédios históricos de Gravataí. E depois convivi com a “agitadora” da Agir, junto com seu parceiro de vida, Waldemar Max. Na época em que a sede da Agir era no espaço que o querido Edílio Fonseca construiu no pátio da sua casa para abrigar o Clube Literário. Mas nas mãos da Denise e do Max, aquela casinha, como eu chamava carinhosamente, encheu-se de cores e múltiplas formas de arte. Saudades…
Foi naquele tempo que ela virou a Medonha e desabrochou ainda mais. Acho que minha última ida na sede da Agir foi no lançamento do primeiro livro “Conhecendo Gravataí com Medonha”. A Denise estava radiante, realizada. A “casinha” ficou cheia de amigos e admiradores, celebrando junto com nossa querida autora.
Depois fui percorrer outros caminhos e só acompanhei à distância os próximos passos da Medonha. Também da Denise… não vi de perto a barriga com Iberê no forninho, mas nas fotos dá para perceber que ela estava em estado de graça. Era sua obra mais desejada. E logo que nasceu o gurizinho, ele já se tornou parceiro das andanças artísticas do casal mais artístico de Gravataí. Como não seria artista também?
Ainda acho injusto que a Denise tenha partido tão cedo. Ainda não consigo entender, por mais que compreenda que ela era tão iluminada que foi morar junto das outras estrelas. E sei que ela deixou muita luz por aqui. Tanto, que ainda ilumina meu caminho! Quero usar meu dom de escrever para deixar registrada, para as próximas gerações, a história da artista mais medonha que já existiu.
*Texto de Jeane Bordignon.
Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal















