O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), definiu cinco prioridades que pretende negociar com o governo federal a partir de 2027. Entre os principais temas estão a dívida estadual com a União, a continuidade dos investimentos na reconstrução após as enchentes de 2024 e o andamento de obras de infraestrutura. As demandas deverão ser discutidas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no último domingo (25).
Apesar das diferenças políticas, Zucco afirmou que pretende manter o diálogo institucional com Brasília para atender aos interesses do Estado. “Tenho posições políticas claras e não abro mão delas. Mas fui eleito governador para trabalhar pelo Rio Grande do Sul. Estou preparado para governar e defender os interesses dos gaúchos diante de qualquer presidente da República”, declarou.
Uma das questões mais urgentes envolve a retomada do pagamento da dívida gaúcha, suspenso desde maio de 2024 em razão das enchentes. O benefício termina em maio de 2027, quando o Estado deverá voltar a repassar recursos à União. A adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), atualmente em negociação, é considerada uma alternativa para aliviar as contas públicas.
Segundo estimativas da Secretaria Estadual da Fazenda, o ingresso nas condições mais vantajosas do programa poderá representar uma economia de R$ 2,1 bilhões somente em 2027. Entretanto, ainda existem divergências sobre os critérios de utilização de receitas futuras para amortizar o saldo devedor, que encerrou 2025 em aproximadamente R$ 106 bilhões.
Outra prioridade é a prorrogação do prazo para utilização dos recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), destinado ao financiamento de projetos de reconstrução e prevenção de desastres. O atual governo solicitou à União a ampliação do período de execução financeira até dezembro de 2028, medida que conta com o apoio de Zucco.
Na infraestrutura, o governador eleito pretende articular a continuidade da duplicação da BR-290, que possui investimentos previstos de R$ 1,4 bilhão. Também estão entre os projetos mencionados por ele a extensão da BR-448, a viabilização do Aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul, e o avanço do Porto Meridional, em Arroio do Sal.
A agenda de negociações contempla ainda a criação de um fundo constitucional para os estados das regiões Sul e Sudeste e a renegociação das dívidas de produtores rurais afetados por sucessivos eventos climáticos. Conforme estimativas apresentadas por Zucco, o novo fundo poderia representar aproximadamente R$ 4 bilhões anuais para o Rio Grande do Sul, dependendo do modelo aprovado.
As articulações ocorrerão em um cenário de divergência política entre os governos estadual e federal. Integrante do mesmo partido de Flávio Bolsonaro, derrotado na eleição presidencial, Zucco afirmou que as diferenças partidárias não devem se sobrepor às responsabilidades administrativas.












