Na tarde desta quinta-feira, 16, quando foi atingida por um ônibus na avenida Alexandrino de Alencar, na Morada do Vale I, em Gravataí, Jurema Pinheiro, de 80 anos, estava indo fazer o que mais amava: resolver questões ligadas ao Carnaval. A idosa, que vivia na Morada do Vale II, estava vendendo convites para um jantar que aconteceria neste sábado em comemoração as campeãs do desfile de Porto Alegre. “Ela estava muito feliz com a homenagem que a Acadêmicos de Gravataí receberia pela conquista do título no ano passado, mas por uma fatalidade, no deslocamento para a Morada do Vale I, acabou sendo atingida fatalmente”, conta Vanessa Pinheiro, uma das 16 netas de dona Jurema. Ela também era mãe de 4 filhas biológicas e outros cinco filhos de criação, além de ter cinco bisnetos.
Desde a década de 1970 a festa mais popular do Brasil era o grande amor de Jurema. A dedicação ao Carnaval fez com que se tornasse uma referência cultural na cidade. Integrando a Acadêmicos de Gravataí há 20 anos, era baluarte da velha guarda da agremiação. “Além de diretora de ala, ela foi uma das primeiras a criar a Acadêmicos do Futuro, uma escolhinha para formação de destaques e passistas. Ela sempre teve uma força muito grande dentro da escola pela influência que tinha”, recorda o presidente da Acadêmicos, Anderson Nascimento.
O dirigente também lembra da dedicação de dona Jurema em busca de recursos para a escola. “Ela era conhecida por bater de porta em porta na Câmara de Vereadores, conversar com os políticos, e sempre era atendida. Era muito perseverante. Além disso, estava em todos os ensaios, nunca deixou de sair no Carnaval. Sempre dizia que aquele seria seu último ano desfilando, mas não conseguia se afastar. Amava a escola”, afirma Nascimento, comentando que a Acadêmicos cancelou todas as suas atividades até o final de janeiro em respeito ao falecimento e que já planeja uma homenagem para Jurema nas muambas e no desfile na Capital.

Alegre, acolhedora e enérgica
Definida pela neta como uma pessoa de personalizada enérgica, dona Jurema era alegre e acolhedora. “Ela gostava de casa cheia, da família por perto, de dar risada. Não guardava rancor. Estava sempre com os braços abertos para os filhos, netos, bisnetos, parentes e amigos”, conta. Outra lembrança de Vanessa era a vocação da avó para o comércio e o artesanato. “Ela acabou profissionalmente atuando na área do comércio, inclusive aproveitava ensaios e desfiles de Carnaval para vender lanches e bebidas. E também gostava muito de artesanato, integrou Clube de Mães e chegou a ministrar oficina de flores artesanais no presídio feminino de Porto Alegre”, conta.
Nesta sexta-feira, durante o velório e o sepultamento, Vanessa diz que outra característica da avó também foi muito comentada por aqueles que foram se despedir. “As pessoas diziam: quem vai brigar comigo agora? Ela brigava com as pessoas que ela amava porque não admitia que ficassem para baixo ou por baixo, mas assim como brigava já estava abraçando. Tinha um coração enorme”, completa a neta.
Fotos: Arquivo pessoal















