Professor universitário, pesquisador, doutor em Comunicação e mestre em Ciência da Computação, além de empresário da área criativa, João Ricardo Bittencourt começou a jogar RPG (Role-Playing Games, gênero no qual os jogadores assumem o papel de personagens em um mundo fictício e constroem narrativas de forma colaborativa) em 1992. Do hobby à profissão, tornou-se mestre em RPG e este ano lançou “A saga de Gravatahy”, no qual a inspiração é a história e a mitologia da cidade.

O projeto foi contemplado em edital municipal da Lei Aldir Blanc, o que viabilizou o lançamento de um livro digital e uma pequena tiragem impressa para distribuição gratuita em escolas e pontos de cultura, um site com os materiais disponíveis para download – https://asagadegravatahy.com.br/downloads/ –, além de formações de professores e estudantes de duas escolas (Bárbara Maix e Vânius Abílio dos Santos).
Na próxima semana, o projeto inicia uma nova etapa, com a promoção de oficinas gratuitas para o público interessado em conhecer um pouco mais sobre RPG e “A saga de Gravatahy”, um jogo criado com a proposta de “despertar a imaginação histórica e oferecer aos educadores uma ferramenta de ensino e aprendizagem”. No site em que a iniciativa é apresentada, João Ricardo explica que a base para o livro de RPG nasceu do anseio de alguém apaixonado pela criação de mundos imaginários. “Entretanto eu sentia falta de um que dialogasse diretamente com a história do Rio Grande do Sul e que pudesse impulsionar e gerar muitas histórias nas mais diferentes perspectivas, sem cair no lugar comum, no bairrismo ou na idolatria das tradições”, relata.
No universo fictício, mas que parte de elementos históricos e é ambientado no século XVIII, “a Aldeia dos Anjos é cercada por florestas mágicas, morros sagrados e um rio que guarda segredos antigos”. Os que dividiam o mesmo território passam a lidar com as ameaças de destruição de gananciosos invasores. “Você joga com personagens que lutam por sua terra, seu povo e seu futuro”, frisa o idealizador.

Em prol da inclusão
Autista, pessoa com Altas Habilidades e Superdotação (AHSD) e pai de quatro crianças neurodivergentes, João Ricardo também desenvolve ações inclusivas no projeto “A saga de Gravatahy”. Ele revela que ainda neste semestre será lançado um audiolivro. A versão em braile será produzida em parceria com a Associação das Pessoas com Deficiência Visual e Amigos de Gravataí (ADVA).
As oficinas abertas à comunidade também vão dispor de espaços com acessibilidade, intérprete de Libras e adaptações para a participação de neurodivergentes.
Ferramenta em sala de aula
Fundador do Quintal de Criativos – Pytanga Estúdio (responsável pela execução do projeto de RPG), o professor e coordenador do curso de Jogos Digitais na Unisinos também idealizou “A saga de Gravatahy” como uma ferramenta para ser trabalhada por educadores em sala de aula. Ciente de que muitos profissionais ainda não têm familiaridade com o formato, ele criou o Guia do Educador para ajudar no processo. Essa apostila está disponível gratuitamente no site do projeto.
Segundo João Ricardo, é cada vez mais comum que os professores procurem aumentar o engajamento dos alunos por meio de estratégias ativas, que impliquem na resolução de problemas e, com isso, promovam uma aprendizagem mais significativa. “Ao mesmo tempo, nossos professores sentem-se muito sobrecarregados, com muitas tarefas extraclasses. Então um dos objetivos do projeto é fornecer o máximo de materiais gratuitos e bem práticos para os professores. Além do livro totalmente gratuito, fornecemos o guia, fichas e resumos”, destaca.
Nas formações que serão realizadas com professores, o intuito será instrumentalizar os educadores para trabalhar com o RPG, uma ferramenta que o autor do projeto descreve como potente ao se fundamentar na “Literatura, nas Letras, nas palavras, nas narrativas e possuir um forte caráter transdisciplinar”.
Oficinas abertas à comunidade
Serão promovidas seis oficinas de RPG em Gravataí entre 30 de julho e 4 de outubro. Os encontros acontecerão em espaços culturais do município, com inscrição gratuita pelo Sympla (acesse a plataforma aqui e garanta a sua vaga).
Confira as datas e locais:
– Dia 30 de julho, das 9h às 11h – Biblioteca Pública Monteiro Lobato (Rua Coronel Fonseca, 936)
– Dia 17 de agosto, das 15h às 18h – Casa de Cultura de Gravataí (Av. José Loureiro da Silva, 1350)
– Dia 21 de agosto, das 9h às 11h ou das 14h às 16h – Quiosque da Cultura (Praça Leonel de Moura Brizola, s/nº)
– Dia 29 de setembro, das 14h às 17h – Casarão dos Bina (Rua Annibal Carlos Kessler, 152)
– Dia 4 de outubro, das 14h às 17h – Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Adolfo Inácio Barcelos, 938)
Fotos e imagens: Divulgação e Reprodução















