A menos de uma semana do início do ano letivo na rede estadual do Rio Grande do Sul, a Escola de Ensino Médio Ponche Verde, de Gravataí, enfrenta uma situação complicada e que deixa equipe e comunidade apreensivas. A obra iniciada pelo Governo do Estado em novembro com previsão de término para o período de férias, está parada. A instituição ainda não sabe como procederá para receber as turmas, visto que três salas estão sem condições de uso, o que prejudicaria em torno de 200 alunos, somando os turnos da manhã e tarde.

Somente entre novembro e dezembro de 2025, o Governo do RS iniciou mais de 50 obras em escolas, sendo a maioria realizada pelo sistema de Contratação Simplificada. O investimento anunciado foi de R$ 30 milhões e os trabalhos tinham previsão de entrega antes da abertura do ano letivo. Relatos enviados à redação do Giro de Gravataí alertam, no entanto, que várias instituições de ensino não tiveram o prazo para reformas cumprido e obras mais antigas também não foram entregues.
No caso da Escola Ponche Verde, onde aproximadamente 700 estudantes são atendidos em três turnos, o investimento é superior a R$ 1,1 milhão. Pelo atual projeto, o montante deve ser aplicado, principalmente, na pintura, reparos no telhado e instalação elétrica. A direção revela, todavia, que a empresa vencedora da licitação para executar a obra (Potenza) suspendeu os trabalhos sob alegação de falta de materiais. Desde então, a equipe diretiva tem recorrido à 28ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e ao Governo do Estado em busca de informações sobre a conclusão dos serviços, mas ainda aguarda pelas providências.
Diretora da Ponche Verde, Letícia Gomes, explica que toda a comunidade escolar está preocupada, pois do total de 12 salas de aula, três estão totalmente descobertas. O forro foi retirado, a energia elétrica desligada e ainda é preciso efetuar os consertos do telhado, o que seria a maior necessidade dentre as ações previstas com o investimento do Estado. Em dias de chuva, infiltrações causam transtornos nos espaços. “Dia 18 os alunos retornam e não temos essas salas prontas. E não temos como realocar as turmas”, frisa a educadora.
Letícia destaca que os trabalhos começaram com a pintura, que não era uma real necessidade, pois no ano passado a instituição havia executado esse serviço com recursos do programa Agiliza, voltado à manutenção dos ambientes escolares. “Agora estamos nessa situação. Não há como dar aula na rua, é muito quente”, acrescenta uma das professoras.
Segundo a diretora, além das dificuldades provenientes desta obra paralisada, a escola aguarda há muitos anos pelo término do gradil, o que traria mais segurança aos alunos e funcionários. Grande parte do cercamento ainda é com uma tela facilmente rompida por pessoas que acessam irregularmente a quadra de esportes. “Tivemos um caso muito grave em 2022, quando dois alunos foram assaltados à mão armada durante a Educação Física e tiveram seus celulares roubados”, conta.
Enquanto aguarda a resolução, a Escola Ponche Verde já convocou as famílias para uma reunião no dia 18 de fevereiro, às 14h, para discutir a situação. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Educação e a 28ª CRE em busca de informações sobre a obra na instituição e outras escolas estaduais, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria (às 17h desta quinta-feira, 12/2).
Fotos: Divulgação/Escola Ponche Verde















