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Como o CEO da iGUi desistiu de sua empresa familiar em Gravataí e criou uma franquia de quase R$ 1 bilhão

Jornalismo - Giro de Gravataí por Jornalismo - Giro de Gravataí
27 de fevereiro de 2021
em Especial
Como o CEO da iGUi desistiu de sua empresa familiar em Gravataí e criou uma franquia de quase R$ 1 bilhão

Aos 17 anos, Filipe Sisson começou a atuar como auxiliar de escritório na empresa de seu pai. Foto: Divulgação

Beatriz Calais/Forbes Money – Formado em administração, Filipe Sisson, fundador e CEO da iGUi, começou no setor por conta de seu pai, Antônio Augusto Sisson. Em Gravataí, o patriarca se juntou a alguns familiares para investir em uma empresa que vendia hidros e banheiras. Um ano depois, em 1969, comprou a companhia e aumentou o portfólio, explorando também a venda de piscinas.

Como uma típica empresa familiar, todos ajudavam no desenvolvimento, inclusive Sisson que, aos 17 anos, começou a atuar como auxiliar de escritório. No entanto, dois anos depois, seu pai sofreu um acidente de carro e seu tio desistiu do negócio, o que fez com que o jovem tivesse de assumir o comando da empresa. “Eram mais de 100 funcionários para dirigir e eu tinha menos de 20 anos. Foi uma experiência interessante, para não dizer traumática”, brinca o empreendedor, que precisou lidar com diversas dívidas e erros de gestão.

“Demorei de três a quatro anos para conseguir alcançar uma receita superavitária e começar a expandir a companhia”, conta Sisson. Cuidando sozinho da gestão, ele já tinha planos para abrir filiais em outras regiões do país, como no Nordeste. Porém, ele tinha algumas crises familiares no caminho. “Quando o negócio começou a crescer, alguns parentes apareceram interferindo nas minhas decisões. Eles não queriam dividir parte do capital com sócios de outros estados, por exemplo, um plano que fazia muito sentido na minha cabeça.” Frustrado com as discordâncias, o jovem decidiu abandonar a empresa e seguir outro caminho profissional.

“Eu não tinha noção de que continuaria trabalhando com piscinas. Estava determinado a seguir outro rumo”, relembra o empreendedor, que foi surpreendido por ex-clientes que pediam sua volta aos negócios. “Em 1995, por insistência de conhecidos, elaborei um plano para iniciar uma nova fábrica de piscinas com mais cinco sócios. Eu seria o gestor apenas inicialmente e, depois de receber determinado valor, seguiria minha vida e deixaria a gestão com eles. Não estava disposto a tocar outra empresa no setor.”

Na época, Sisson não imaginava que, em poucos meses, mergulharia de cabeça na nova empresa e desistiria do plano de abandoná-la. Em pouco tempo, já estava virando noites acordado pensando no nome ideal para o negócio. “Marcas de piscinas sempre tem nomes parecidos, nós queríamos um bem diferente e brasileiro. Eu comprei um dicionário de tupi-guarani e passei a ler para ver se surgia uma ideia”, conta, entre risadas. Com Indústria da Piscina como nome provisório, as reuniões eram marcadas por discussões em busca de uma nova nomenclatura mais chamativa.

“Lendo o dicionário, descobri que ‘ig’ significava água e me encantei pela simplicidade”. Para Sisson, já estava mais do que decidido que esse seria o nome da empresa. No entanto, o Internet Group, provedor de acesso à internet banda larga conhecido como IG, tinha acabado de chegar ao Brasil e se destacava no mercado. “Para não ficar igual, decidimos acrescentar mais duas vogais no final, formando iGUi”, explica o empreendedor.

Nos anos 2000, a iGUi, nascida no Rio Grande do Sul, já se expandia para outros estados do Brasil, começando pelo interior de São Paulo. Diferente da experiência com o negócio de sua família, Sisson podia finalmente pensar em crescer. “São dois mundos diferentes. Dessa vez, eu tive sócios que me apoiaram”, destaca. “Entramos no franchising em 2008, mas, antes disso, já tínhamos em torno de 300 lojas pelo país.”

O crescimento sem modelo de franquias surpreendeu um especialista da área, que conversou com Sisson sobre a facilidade que eles teriam de implementar o sistema. “Ele entrou em contato comigo e disse: ‘Você tem um esquema de franchising pronto. Só falta fazer os contratos e começar a ganhar royalties’. Achei que era bom demais para ser verdade”, lembra o empreendedor, que em três meses colocou a nova formatação em prática. Atualmente, a iGUi tem cerca de 800 franquias e está presente em mais de 30 países, incluindo Argentina, México, Portugal e Estados Unidos.

O melhor dos 25 anos

Em 2020, a iGUi obteve um faturamento de R$ 952 milhões, quase alcançando o marco do bilhão. Segundo Sisson, foi o melhor ano de vendas dos 25 anos de trajetória da empresa, o que pode ser notado pelos últimos dados divulgados com exclusividade para a Forbes. “Em dezembro, tivemos uma alta de 277% nas vendas frente ao mesmo mês de 2019. Durante o ano, também aumentamos em 70% nossa equipe de atendimento ao cliente por conta do aumento da procura.”

De acordo com a Anapp (Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas), o setor como um todo passou por impulso no último ano. Segundo a última pesquisa da associação, o crescimento médio de vendas estimado no período de janeiro a setembro de 2020, comparado ao mesmo período de 2019, mostra aumento de 35% de piscinas instaladas, 6% de tratamentos químicos, 21% de tratamentos alternativos e 24% de aquecimento solar para piscinas.

Para Sisson, a explicação do fenômeno está no fato de que as pessoas tiveram de passar mais tempo em casa por conta da pandemia. No mais, a busca por casas no interior ou no litoral cresceram perceptivelmente no período. “Agimos muito rápido ao identificar essa mudança de mercado. Em março, primeiro mês de paralisações, nós já começamos a preparar nossos funcionários para orçamentos online. Não podíamos parar de vender”, destaca.

O empresário também ressalta a importância de observar os passos do mercado para poupar problemas no futuro. Segundo a Anapp, no segundo semestre do ano, devido à escalada das temperaturas com a chegada do verão e o consequente aumento da demanda, o setor foi duramente atingido pela falta de insumos e pela elevação dos preços que impactam nos custos de produção. “Isso nos impediu de ter um resultado ainda melhor no ano de 2020”, diz Flávio Mattos, diretor de comunicação da associação. Para Sisson, que foi às compras em maio visando o aumento da procura por conta do calor, os problemas de abastecimento não atrapalharam o resultado final da empresa.

Com planos de continuar crescendo em 2021, o empresário diz não se enxergar mais longe do setor. “Eu trabalho desde os 17 anos nesse segmento, já são 40 anos de amizade com as piscinas”, diz com humor. De empresa familiar à franquia, o que mudou foi a gestão e o lucro.

Tags: Beatriz Calais/Forbes MoneyForbesReprodução
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