A promessa parecia simples: dinheiro rápido, sem a burocracia dos bancos e com negociação direta pela internet. Mas, segundo a Polícia Civil, era justamente neste momento que começava uma engrenagem que terminava em ameaças, extorsões e até sequestro.
A investigação da Operação Dâmocles, conduzida pela Polícia Civil de Gravataí, revelou como funcionava o esquema de agiotagem que levou oito pessoas à prisão na Região Metropolitana. O grupo se aproveitava principalmente de pessoas endividadas, que buscavam alternativas de crédito em redes sociais.
O primeiro contato acontecia, muitas vezes, por meio de anúncios de empréstimos publicados em plataformas como o Marketplace do Facebook. A facilidade para conseguir dinheiro era o atrativo para vítimas que enfrentavam dificuldades financeiras ou não conseguiam acesso ao crédito tradicional. Depois do empréstimo realizado, começava a segunda etapa do esquema: a cobrança.
Da dívida à intimidação
De acordo com os investigadores, quando as vítimas não conseguiam pagar os valores exigidos, integrantes ligados a facções criminosas passavam a atuar na recuperação do dinheiro. Eles recebiam parte dos valores cobrados e utilizavam métodos de intimidação para pressionar os devedores.
As ameaças aconteciam por mensagens, ligações e até com participação de criminosos que estavam dentro do sistema prisional. Para a polícia, esse foi um dos pontos que mostrou uma mudança na forma de atuação da agiotagem.
A cobrança deixava de ser apenas financeira e passava a envolver o controle pelo medo. Em um dos casos investigados, uma vítima foi sequestrada dentro da própria residência. Durante a ação, criminosos fizeram uma videochamada com um preso, que participou das ameaças.
Outro episódio chamou atenção dos policiais: uma família foi impedida de entrar na própria casa depois que integrantes do grupo colocaram um cadeado no portão e afirmaram que o imóvel passaria a pertencer à facção. A investigação também identificou a cobrança de juros abusivos. Conforme a Polícia Civil, um empréstimo inicial de R$ 50 mil chegou a gerar uma cobrança de R$ 200 mil.
A Operação Dâmocles cumpriu mandados em Gravataí, Porto Alegre, Cachoeirinha e Sapiranga. Ao todo, sete pessoas foram presas por ordem judicial e uma em flagrante. Agora, a polícia busca aprofundar a investigação para identificar outros envolvidos e possíveis novas vítimas que, por medo das ameaças, ainda não procuraram as autoridades.















