Seja pelo brilho dos olhos e sorrisos das crianças ou pelo carinho com que a equipe fala do trabalho, nota-se facilmente o quão especial é a Fundação Casa dos Sonhos, de Gravataí. Esta reportagem é também um testemunho de quem visitou a instituição e pôde ver de perto um exemplo de solidariedade e compromisso com a qualidade de vida de uma comunidade que reúne muitas famílias em situação de vulnerabilidade social.
A Casa dos Sonhos completa 25 anos neste sábado, 4 de julho, e nessa jornada ajudou a transformar a vida de muitos moradores do Rincão da Madalena e bairros próximos. O Giro de Gravataí esteve na entidade esta semana para conversar com alguns colaboradores e usuários do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, oferecido a crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, encaminhados pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Parte do atendimento é viabilizado por meio de termo de cooperação com a Prefeitura.
A fundação atende os estudantes no turno inverso à escola. O espaço contempla até 120 vagas, divididas no período da manhã e tarde. Atualmente, em torno de 100 pessoas participam ativamente das atividades. De segunda a sexta-feira, as crianças recebem refeições (café e almoço) e participam de oficinas. A presidente da organização sem fins lucrativos, Carmen da Silveira Piccini, explica que o propósito não é atuar como escola, porém disponibilizar um espaço para socialização e desenvolvimento dos estudantes.

As crianças aprendem e se divertem. Os momentos que passam na instituição oportunizam que façam amizades, sintam-se seguras e acolhidas, criem novas perspectivas. “Nosso objetivo é fazer com que possam enxergar um futuro melhor e transformar a vida deles”, salienta a assistente social Elenara Figueiredo. Hoje, a garotada participa de oficinas de informática, leitura e expressão, artesanato, capoeira e cidadania (rodas de conversa sobre diversos temas). A equipe também pesquisa interesses dos usuários para incluir na rotina.
Eventualmente, a Casa dos Sonhos conta com parcerias para realização de passeios e projetos com voluntários. Há ainda programas especiais, como a produção anual de um livro com textos e desenhos das crianças e adolescentes. Produzida há uma década, a obra “Lembranças” incentiva o protagonismo dos estudantes. A cada publicação, os autores são convidados a compartilhar memórias e percepções sobre temáticas próximas de suas vivências. Funcionários e direção também fazem seus relatos, o que torna o projeto muito significativo para todos.
Afeto recíproco
No livro “Lembranças” de 2025, vários estudantes manifestaram gratidão à Casa dos Sonhos. “Só tenho a agradecer todos que estão aqui, pois desde que entrei, eles estiveram ao meu lado o tempo todo. Mesmo eu incomodando, eles não pararam de me dar apoio. […] O tempo em que estive aqui me fez olhar para a vida de outro jeito”, declarou Miguel da Silva Rocha, aos 15 anos, em seu último ano na fundação.
“Antes, eu não sabia o que me deixava feliz, agora eu sei: ver as pessoas felizes me deixa feliz. Na Fundação Casa dos Sonhos, eu reaprendi coisas que tinha esquecido depois que meu pai faleceu. […] Aqui eu aprendi a sonhar, a ter esperança”, reconheceu Maria Isabelly da Silva Rolin, de 13 anos.
O carinho que as crianças demonstram pela entidade é tão perceptível quanto o dos diretores e funcionários ao se referirem à atuação. Todos descrevem afetuosamente o vínculo com a Casa dos Sonhos. Na publicação de 2024, por exemplo, Manuela Pereira, na época com 13 anos, destacou a receptividade que teve da equipe. “Eu entrei há pouco tempo na fundação, mas já percebi o quão importante é passar um tempo com quem amamos. É muito bom estar com eles, pois me sinto livre e confortável como nunca me senti em lugar algum”, afirmou.
Inspiração para tornar um sonho realidade
Presidente da fundação desde 2014, Carmen comenta que a Casa dos Sonhos nasceu da dedicação de 15 funcionários da GKN e Dana, que em 2001 iniciaram a mobilização para criar uma organização beneficente. A idealizadora da instituição foi Maria Mercedes de Paula Nestor, que hoje atua como conselheira. Ela tinha como propósito implementar um espaço para projetos sociais com crianças em situação de vulnerabilidade.
Inicialmente, o grupo tentou que uma área fosse cedida em Porto Alegre para a fundação. Contudo, o apoio veio de Gravataí. Assim, iniciaram as obras no Rincão e, em 2004, as primeiras crianças foram atendidas. De lá pra cá, a entidade tem funcionado, na descrição de Carmen, como “um hub de boa vontade”, unindo quem pode ajudar aos que precisam de auxílio. A equipe é formada por 13 pessoas – a diretoria é voluntária.

Fundadores
- Paulo Nelson Regner (in memoriam)
- Wilson Gomes Andrade
- Tito Lívio Jaime Goron (in memoriam)
- Angela Bohrer Brentano
- Flávio Möller
- Iara Branco D’ávila
- Mercelino José Araújo Perlott (in memoriam)
- Ana Luiza de Campos e Souza
- Jussara de Fátima Marques
- Marco Aurélio de Oliveira Lima
- Roberta Fischer Regner
- Maria Mercedes de Paula Nestor
- Marcio Luiz Zimmer
- Arnaldo Boff Pereira de Souza
- Cristina Lilian Morche
Doações e voluntariado
O convênio com a Prefeitura auxilia nos trabalhos, mas para garantir o serviço, a Casa dos Sonhos precisa de doações da sociedade e empresas. É fundamental, inclusive, ampliar o número de colaboradores fixos. No site da fundação (clique aqui para acessar) é possível obter informações sobre as iniciativas e formas de ajudar – doações em Pix ou depósito em conta estão entre as possibilidades.
Depósito em conta: Banco 041 – Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) – Conta Corrente 0616221705 – Agência 0670 CNPJ 04.630.415/0001-08
A chave Pix é o CNPJ 04.630.415/0001-08
Voluntários para ações com as crianças e jovens e suporte na rotina da organização sem fins lucrativos são sempre bem-vindos. Através do portal pode-se entrar em contato com a fundação também para essa finalidade.
Para acompanhar as novidades da instituição, siga o @fundacao_casadossonhos no Instagram.

Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí















