Gravataí está no traçado da primeira ferrovia de passageiros do Brasil concedida à iniciativa privada dentro de um único Estado. O governador Eduardo Leite confirmou, nesta quinta-feira (7), a autorização inédita para a implantação, operação e exploração do modal, que ligará Porto Alegre a Gramado em apenas uma hora. O anúncio foi feito no Palácio Piratini, durante apresentação que detalhou o projeto da SulTrens, empresa responsável pelo investimento.
Com valor estimado em R$ 4,5 bilhões, integralmente privado, a previsão é que a operação comece em sete anos. A outorga para exploração da ferrovia terá validade de 99 anos. Ao longo da implantação e operação, o projeto deverá gerar 6.747 empregos diretos e 15.976 indiretos, totalizando 22.723 postos de trabalho. Confira a apresentação clicando aqui.
O trajeto contemplará 19 municípios e terá área de influência em outros três: Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Dois Irmãos, Sapiranga, Araricá, Parobé, Taquara, Morro Reuter, Nova Hartz, Igrejinha, Picada Café, Santa Maria do Herval, Três Coroas, Gramado e Canela. A infraestrutura incluirá 27 cruzamentos rodoferroviários, 15 pontes e viadutos — entre eles, um sobre a Freeway (BR-290) — e nove túneis.
As estações de partida e chegada estarão localizadas a cerca de 700 metros do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, e na Avenida das Hortênsias, entre Gramado e Canela. O trem será híbrido, movido a eletricidade e diesel, com menor emissão de CO₂ e potencial para reduzir acidentes nas rodovias.
Para Eduardo Leite, a iniciativa representa um marco na infraestrutura e na economia gaúcha. “Esse investimento privado só se viabiliza porque o Rio Grande do Sul virou a chave. É desenvolvimento econômico, geração de empregos e valorização do nosso potencial turístico”, afirmou.
O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, destacou que o projeto coloca o Estado “em um novo patamar de mobilidade, alinhado ao que já é realidade em países europeus”. Já o administrador da SulTrens, Renato Ely, disse que a ferrovia “marca o início de uma nova era para os transportes da Serra Gaúcha” e que o objetivo é oferecer “uma experiência moderna e segura” aos passageiros.
A proposta foi viabilizada em cerca de um ano de análises técnicas e pareceres jurídicos conduzidos por órgãos como a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Secretaria de Logística e Transportes (Selt), que também ficará responsável pela fiscalização do contrato, com relatórios trimestrais da concessionária.
















