Com a chegada do inverno, principalmente no Sul do Brasil, cresce a incidência de infecções respiratórias. Dados divulgados recentemente pelo Boletim InfoGripe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostram que o país já registrou 98 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Na Região Metropolitana de Porto Alegre, o período mais frio do ano já provocou um aumento de 55% nas internações por doenças respiratórias. No Hospital Dom João Becker também verificamos o reflexo desse cenário a cada nova estação fria. Os números são preocupantes e reforçam que a vacinação continua sendo a melhor estratégia para evitar o agravamento dos quadros.
As infecções mais comuns nesta época podem ter origem bacteriana ou viral, com predominância das causadas por vírus, como os da Influenza A, do rinovírus e do vírus sincicial respiratório. Fatores ambientais como baixas temperaturas e umidade relativa do ar favorecem a transmissão desses agentes, por meio de gotículas e aerossóis. Isso ocorre porque os vírus ficam mais estáveis sob temperaturas baixas e também porque o ar seco prejudica a produção de muco nas vias respiratórias, tornando-o mais espesso e reduzindo a defesa imunológica. Além disso, a aglomeração de pessoas em ambientes fechados durante o inverno contribui para aumentar a circulação dos patógenos.
Alguns grupos são mais vulneráveis, como crianças menores de cinco anos, idosos acima de 70 anos, gestantes e pacientes imunocomprometidos, incluindo usuários crônicos de corticoesteroides, pessoas com câncer (neoplasias), Aids, usuários de medicamentos biológicos e transplantados. Também apresentam maior risco pessoas com comorbidades, como doenças pulmonares ou cardiovasculares crônicas, diabetes, doença renal ou hepática crônica, paralisia cerebral, epilepsia e distrofia muscular.
Os dias mais frios estimulam o uso do ar condicionado em seu modo quente. O calor pode reduzir a sobrevivência de alguns vírus, porém é preciso ter atenção para não transformar o aparelho de “mocinho em vilão”. Ele também reduz a umidade do ambiente, tornando o ar mais seco e, por consequência, prejudicando as mucosas respiratórias.
Mesmo no inverno é recomendável manter os ambientes ventilados e não fechar completamente as janelas, pois a circulação de ar ajuda a diminuir a concentração dos vírus. Caso você esteja convivendo com alguém infectado, mantenha certo distanciamento durante cinco a sete dias, além de reforçar a higiene das mãos e a limpeza de superfícies. As máscaras, que foram nossas companheiras durante toda a pandemia, continuam sendo importantes para reduzir as chances de transmissão entre familiares.
Vacinação e orientação são fundamentais
A vacinação, disponível na rede pública e em clínicas particulares, é a principal aliada na prevenção, pois reduz significativamente o risco da forma grave da doença. A vacina contra a gripe pelo SUS protege contra três cepas de influenza (duas do tipo A e uma do tipo B).
Fique atento e busque a orientação de um profissional de saúde, caso haja suspeita de infecção. Os antigripais, vendidos livremente nas farmácias, atuam como analgésicos, antitérmicos, descongestionantes e antitussígenos, proporcionando alívio temporário dos sintomas. Entretanto, eles não encurtam a duração da doença nem combatem os vírus responsáveis por gripes e resfriados.
Não se automedique. A consulta com um médico ainda é a conduta mais prudente para que uma infecção aparentemente simples não se torne uma SRAG. Nem sempre o “chazinho da vovó” é suficiente!
*Dra. Karen Bertasso é especialista em Clínica Médica e atende no Hospital Dom João Becker. A médica foi a convidada do programa Papo de Saúde, apresentado na noite de terça-feira (30/6).
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