Proposto pelos Escoteiros do Brasil da Região do Rio Grande do Sul, o Mutirão Regional de Inclusão e Acessibilidade (Mutriac) teve sua sétima edição realizada em Gravataí, neste sábado (28/9), na sede do Grupo Murialdo. Este ano, o evento se baseou no tema “Educação, Esporte e Escotismo: desenvolvendo oportunidades de inclusão” e reuniu aproximadamente 180 pessoas.
O grande destaque da programação foi a presença de paratletas que representam o Rio Grande do Sul em competições nacionais e almejam conquistar, em breve, títulos mundiais, inclusive, medalhas olímpicas, bem como de membros da diretoria da Federação Gaúcha de Esportes para Pessoas com Deficiência (FEGESPCD).
Uma das organizadoras da atividade, Fabiâni Dias, mestre do Ramo Pioneiro, voltado aos jovens de 18 a 21 anos, explica que “o escotismo promove um ambiente de acolhimento e inclusão, onde todos devem se sentir à vontade e participar igualmente” e esta foi a inspiração para o 7º Mutriac, que também fez parte das comemorações de 60 anos do Grupo Murialdo. “O espírito de superação e a garra dos atletas brasileiros são inspiradores”, completa, enfatizando que exaltar esses exemplos às crianças e jovens está na essência do escotismo.
O encontro oportunizou a membros de todos os ramos escoteiros (Lobo, Escoteiro, Sênior e Pioneiro) ouvir o relato dos atletas e fazer perguntas sobre a trajetória no esporte. Nesse ponto, os mais curiosos foram os lobinhos, que fizeram várias indagações sobre a prática esportiva, melhores marcas dos atletas em suas modalidades, número de medalhas, entre outros aspectos.
Representando a diretoria da FEGESPCD, estiveram no evento o presidente, Carlão Oliveira, o vice-presidente, Rotechild Prestes, o diretor de Esportes, Alex Maciel Celente, e o coordenador de Basquete em Cadeira de Rodas, Jonas Eduardo Baiarle. Todos eles tiveram ou ainda mantém contribuições ao paradesporto no estado. Alex e Jonas, por exemplo, são destaques no goalball e no basquete em cadeira de rodas e slalom, respectivamente.
O Instituto Viva Esporte, que fomenta o paradesporto no RS, também participou do Mutriac, sendo representado pela presidente, Carla Schultz Cartier, e os atletas Gilberto Andrade e Xader José Corrêa Saraiva.
Histórias inspiradoras que requerem disciplina, determinação e técnica
“Nossos atletas não querem ser uma inspiração por ter uma deficiência, mas por serem pessoas que batalham, correm atrás do que querem e de seus sonhos para alcançar os objetivos, ter uma melhora na sua vida e na de seus familiares”. O relato da presidente do Instituto Viva Esporte, Carla Schultz Cartier, sintetiza o sentimento dos paratletas, que são unânimes ao argumentar que o exemplo que desejam passar é de que se deve acreditar em si mesmo e empenhar para atingir as metas. Desafios, existem. Mas tentar superá-los, pode trazer novas perspectivas.
“O esporte transformou minha vida. Quando criança não tive a referência de ver outros atletas. Mas tinha vontade de praticar esporte. Fui para o basquete. Foi uma realização, porém não consegui continuar. Conheci o atletismo e aí me encontrei”, relata Xader José Corrêa Saraiva, um dos membros da equipe de atletismo do Instituto Viva Esporte e hoje um dos paratletas de maior rendimento nas modalidades de arremesso de peso e lançamento de disco do país.
Morador de Canoas, Xader se dedica ao esporte desde 2006. A jornada não foi fácil até aqui, mas ele aponta que muita coisa evoluiu para o desempenho das atividades esportivas e o apoio do Instituto, no qual é bolsista, o incentiva a sonhar alto. “Comecei a praticar o esporte numa cadeira de escola, não havia a estrutura que temos hoje”, recorda. “Minha primeira meta era conseguir uma bolsa, porque conseguimos custear o que precisamos para nos desenvolver dentro do atletismo. Alcancei isso. E, como todo atleta, quero chegar numa Paralimpíada”, acrescenta.
Também residente em Canoas e integrante da equipe de atletismo da instituição, Gilberto Andrade é uma referência na corrida, de 100, 200 e 400 metros. Ele conta que dificuldades na escola regular sinalizaram que precisava do auxílio de uma instituição de educação especial. Com deficiência intelectual, mudou para outra escola e foi então que descobriu a habilidade para o esporte. Em algumas semanas, Gilberto competirá no Campeonato Brasileiro para atletas com deficiência intelectual. Com dezenas de medalhas conquistadas, salienta que almeja seguir evoluindo, “degrau por degrau” até participar de competições mundiais.
Como jogador de basquete em cadeira de rodas, Jonas Eduardo Baiarle já conquistou um Campeonato Brasileiro. Contudo, a paixão por esportes o levou a praticar diversas modalidades até chegar ao slalom em cadeira de rodas, no qual compete atualmente. Após a primeira vivência no basquete, em 2010, no time da Universidade de Caxias do Sul (UCS), ele seguiu sua jornada no paradesporto participando de vários campeonatos. Dedicou-se também a esportes como bocha em cadeira de rodas, vôlei sentado, tênis de mesa e natação.
Atualmente, Jonas mora em Alvorada, onde existe um projeto para criação de uma associação esportiva voltada ao basquete em cadeira de rodas. A ideia é fomentar a modalidade e contar com uma equipe em competições. Assim como os demais participantes do Mutriac, ele destaca que no esporte adaptado, a competitividade é grande, diferentemente do que muitos, que não acompanham o trabalho dos atletas com deficiência, podem pensar. Para obter alto rendimento, os paratletas precisam, igualmente, de muita disciplina, determinação, técnica e foco nos treinamentos.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí


















