Até o clima colaborou para que uma linda confraternização fosse realizada neste sábado (14/12) pela Cooperativa Escolar do Colégio Santa Luzia (CESL), em Gravataí. A chuva deu uma trégua durante a manhã e o início da tarde, possibilitando que os participantes aproveitassem ao máximo a programação do Natal Solidário organizado pelos jovens cooperativistas em Morungava. O Programa Cooperativas Escolares é uma iniciativa da Sicredi Origens RS que envolve estudantes de 11 a 15 anos. Em Gravataí, o projeto completou cinco anos e reúne atualmente 35 alunos.
Assim como a instituição financeira destina parte dos resultados aos associados, a CESL também beneficia sua comunidade como contrapartida pelo que recebe e o evento promovido hoje foi um exemplo disso. Os cooperativistas prepararam um almoço especial para 30 pessoas residentes na região e que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Além disso, distribuíram presentes e proporcionaram momentos de lazer e brincadeiras para as crianças.
As famílias se divertiram com atividades recreativas, pebolim, desenhos, pinturas faciais e nos braços enquanto os estudantes fizeram o churrasco e os complementos, com apoio de professores, voluntários, colaboradores e o vice-presidente da Sicredi Origens RS, Alcides Brugnera. A garotada também brincou pelo pátio da escola, que possui um belo jardim com decoração natalina.
A iniciativa
No Programa Cooperativas Escolares, os alunos se reúnem no contraturno das aulas para participação voluntária em oficinas e formações focadas no modelo e prática cooperativista e que incentivam o empreendedorismo. Conforme a instituição financeira, para a aprendizagem é utilizada uma metodologia gameficada, na qual o professor orientador conduz as atividades a partir de missões para a compreensão dos temas.
O primeiro passo para os alunos é conhecer a história do cooperativismo. Posteriormente, eles compreendem como se estrutura uma Cooperativa e, então, chegam ao processo de fundação. Há etapas como definição do Estatuto Social, realização de assembleias e eleição de membros dos Conselhos Administrativo e Fiscal, bem como dos demais departamentos.
Estruturada a Cooperativa Escolar, os estudantes definem o objeto de aprendizagem (produto/serviço) que vão desenvolver, sempre levando em consideração o contexto da comunidade local.
Cooperar e empreender
Segundo a analista de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Origens RS, Carine Neves, atualmente o programa é realizado em seis instituições e envolve 160 associados. “E estamos ampliando. A ideia é que no próximo ano tenhamos pelos menos uma Cooperativa Escolar por cidade na região onde atuamos”, comenta, acrescentando que a instituição está presente em Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Esteio, Glorinha, Gravataí, Porto Alegre, Sapucaia do Sul e Viamão.
A Cooperativa Escolar Santa Luzia é uma das primeiras da região e em seus cinco anos de trajetória tem apresentado grande evolução. “Para nós é gratificante ver que, mais do que estarem aprendendo, esses alunos estão tendo um olhar para além dos muros escolares”, afirma Carine ao explicar que atuar em prol da comunidade na qual está inserida é também um dos propósitos dos jovens cooperativistas e muitos se tornam voluntários em outras ações, mesmo após a saída do programa.
Para Carine, as Cooperativas Escolares geram um movimento que inspira outras pessoas a buscarem mais conhecimentos e ampliarem as possibilidades de aprendizado. Essa é uma opinião compartilhada pelo diretor do Colégio Santa Luzia, César Aguiar, que destaca como grande diferencial de uma instituição cooperativista o olhar para a comunidade, ou seja, não voltado apenas ao lucro. “Este é um programa importante porque traz uma ideia diferenciada do que é empreender. Traz a concepção de não empreender apenas para si, mas também para uma comunidade, a possibilidade de se tornar um empreendedor comunitário”, aponta.
Tanto a analista de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Origens RS como o educador relatam que a experiência proporcionada aos estudantes por meio da Cooperativa Escolar corrobora para o desenvolvimento dos jovens em diversos aspectos. Citam como exemplos a integração social com pessoas de diferentes idades e lugares, maior empenho nos estudos, disposição para o voluntariado, mais facilidade para se comunicar e lidar com o público.
Frutos do cooperativismo escolar
Ex-aluno do Colégio Santa Luzia, Arthur Souza Oliveira, de 20 anos, hoje colaborador da Sicredi Origens RS, participou do evento neste sábado e pôde relembrar um pouco do seu trabalho junto à Cooperativa Escolar. Ele foi um dos sócios-fundadores da CESL. “Foi uma experiência muito interessante, aprendemos desde o princípio do cooperativismo até o início da nossa Cooperativa Escolar”, recorda, acrescentando que todo o processo de fundação, desenvolvimento do objeto de estudo, assembleias e eventos colaboraram para o início de sua jornada profissional.
“A maior contribuição deste programa foi a minha inserção no mercado de trabalho. Surgiu uma oportunidade no Sicredi e acredito que compreender o modelo de negócio de uma cooperativa ajudou bastante”, frisa o jovem, que ingressou como aprendiz e agora é analista de Infraestrutura na instituição financeira.
Irmão de Arthur, Francisco Azevedo de Souza Neto, de 15 anos, aluno aprovado para o 2º ano do Ensino Médio, é o atual presidente da CESL. Ingressou no programa este ano, mas já tinha um embasamento sobre o trabalho por causa dos relatos do familiar. Ele conta que sua adaptação ao grupo foi rápida, alguns integrantes já eram seus amigos.
O estudante avalia positivamente a experiência adquirida até aqui, que oportunizou aos cooperativistas terem noções de empreendedorismo, aprenderem a confeccionar produtos artesanais, comercializar as peças e conduzir as atividades de forma planejada e organizada. Em 2024, os produtos fabricados pelos estudantes foram chaveiros artesanais, almofadas terapêuticas e trouxinhas aromáticas, todos produzidos com materiais provenientes de doação, de cultivo próprio ou adquiridos pela própria Cooperativa Escolar. As peças são comercializadas em feiras e eventos.
De acordo com Francisco, que seguirá na gestão da CESL em 2025, o projeto traz aprendizados que serão fundamentais na jornada pessoal e profissional dos participantes. “Há aprendizados que levaremos para a vida, como a própria questão da cooperação, união dos associados, de um colaborar com o outro. E também a questão de ser voluntário, de todos se empenharem por um objetivo comum”, declara.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí






















