Toda quarta-feira a sede da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Gravataí é tomada por sorrisos, alegria, muita conversa descontraída, além de contar com momentos de confraternização e aprendizado. É nesse dia que acontece a Oficina Terapêutica, uma das ações da entidade conduzida por voluntárias para assistir pacientes oncológicas. O Giro de Gravataí visitou a instituição na semana passada e pôde conferir um pouco dessa tarde especial das meninas, que esbanjam simpatia, bom humor e talento para o artesanato.
No encontro da última quarta, o grupo confeccionava peças decorativas de Natal. O clima festivo pairava no ar, mas quem participa assiduamente das reuniões destaca que a animação está sempre presente! Há um vínculo de amizade e apoio entre essas mulheres, que estão em tratamento ou já venceram o câncer. Por meio da oficina, as participantes aprendem novas técnicas e compartilham conhecimentos. O resultado são produtos para si próprias ou que podem ser comercializados e doados.
A solidariedade é algo que une as voluntárias e assistidas pela Liga de Combate ao Câncer. Por isso, grande parte do material produzido é destinado a hospitais e entidades assistenciais. Um exemplo é o projeto “Almofada do Coração”, iniciativa que surgiu nos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo. A ideia de confeccionar almofadas no formato de coração nasceu de uma necessidade: após a cirurgia de câncer de mama, uma mulher percebeu que apoiar o braço na peça trazia mais conforto. A partir disso, outras pessoas começaram a repetir o gesto. As artesãs da cidade já confeccionaram mais de mil almofadas para doação.
Durante a visita, a reportagem também conversou com a presidente da Liga, a empresária Tânia Pereira, sobre a nova fase da instituição. No Rio Grande do Sul, a Liga de Combate ao Câncer tem 70 anos de atuação e conta com unidades em aproximadamente 90 municípios. O órgão estadual está sediado no Hospital Santa Rita, no Complexo da Santa Casa de Porto Alegre. Já em Gravataí, o trabalho iniciou em 2008, porém a entidade não tinha CNPJ e esteve um longo período inativa.
Após a mobilização de um grupo de mulheres, a unidade municipal foi instituída legalmente no primeiro semestre de 2024. Segundo Tânia, as atividades da Liga são conduzidas hoje por cerca de 80 voluntárias, sendo 18 membros da diretoria. Em torno de 40 pacientes oncológicas são atendidas. O maior propósito da entidade é apoiar e prestar assistência a mulheres com câncer, seja em âmbito jurídico, de saúde ou demais necessidades.
“A mulher com câncer precisa de assistência, jurídica para orientá-la sobre direitos legais, e médica e psicológica. Hoje temos psicólogas voluntárias e a parceria com uma clínica com tarifa social. Temos uma oficina terapêutica na qual ela vem passar uma tarde por semana, aprende uma atividade e participa de uma confraternização. É gratificante para nós ouvirmos de algumas delas que este é o melhor dia da semana”, declara a presidente.
Tânia ressalta ainda que há uma forte atuação em prevenção, com a realização de palestras, participação em podcasts, distribuições de materiais informativos e eventos que levam esclarecimentos sobre a doença para a comunidade e buscam desmistificar aspectos, mostrando que “diagnóstico não é sentença de morte”. O trabalho de conscientização almeja mostrar que hábitos saudáveis são importantes e que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura, o que evidencia a necessidade de acompanhamento médico regular.
Planejamento
Enquanto organização jurídica, a Liga de Combate ao Câncer busca recursos para os programas que desenvolve por meio de editais, verbas de órgãos públicos, além de contar com doações espontâneas da sociedade. Vários empresários/lojistas e lideranças políticas (emendas parlamentares) já destinaram verbas para os projetos da entidade. Uma conquista obtida junto ao Governo Municipal foi a isenção de impostos e taxas. A instituição também realiza ações e eventos para angariar fundos.
Atividades de caráter beneficente possibilitaram a reforma da casa onde está localizada a Liga, na Rua Professor Victor Hugo Ludwig, 471, no Centro. O imóvel abrigava antigamente um clube de mães. O espaço recebeu melhorias e dispõe agora de acessibilidade.
De acordo com a presidente, a meta da Liga é seguir crescendo e atender mais mulheres, visto à alta incidência da doença, bem como fortalecer a cultura de prevenção e cuidados com a saúde. Tânia revela que a partir de 2026, algumas ações devem ganhar força e outras iniciativas serem lançadas, ampliando a assistência a essa população. Ela e a coordenadora de projetos, Mara Pacheco, antecipam que há projetos para auxiliar as mulheres em tratamento com recursos que vão viabilizar a complementação nutricional, despesas com passagens e exames, considerando que muitas se encontram em situação de vulnerabilidade social.
Outra atividade que estará em destaque é a confecção de moda criativa e sustentável, liderada pela estilista Neida Quadros. Um desfile com as primeiras peças produzidas já ocorreu este ano, porém em 2026 a ideia é fazer um lançamento oficial. As roupas e acessórios serão confeccionados com tecidos doados ou se basearão na customização, reforçando o viés sustentável da proposta.
Conheça e apoie a Liga de Combate ao Câncer!
Para saber mais sobre o trabalho desenvolvido pelas voluntárias, siga o Instagram @ligadocancer.gravatai ou acesse o site oficial da instituição neste link. Contatos também podem ser feitos pelo WhatsApp (51) 98149-8768 e e-mail ligadocancergravatai@gmail.com.
Fotos: Priscila Milán/Giro de Gravataí




















