Uma apreensão de drogas realizada em Gravataí foi decisiva para que a Polícia Civil desvendasse a rede criminosa responsável por dar suporte financeiro, logístico e operacional ao maior assalto já registrado no Rio Grande do Sul. A partir desse avanço nas investigações, uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (18) cumpriu 175 mandados judiciais em diversas cidades do Estado, sendo 59 de prisão preventiva. Entre os municípios com prisões estão Gravataí e Cachoeirinha.
A ação que confirmou a ligação entre traficantes e a estrutura do roubo milionário ocorreu no dia 4 deste mês, quando policiais civis apreenderam cerca de 20 quilos de crack com dois homens abordados na BR-290. A carga, vinculada a uma organização criminosa, foi avaliada em aproximadamente R$ 1,4 milhão. Durante a ação, os policiais também localizaram “miguelitos”, artefatos comumente utilizados em crimes de grande porte, como ataques a carros-fortes.
A partir dessa apreensão, as investigações avançaram para além do tráfico de drogas. A análise do material recolhido, das rotas de distribuição e da estrutura financeira do grupo permitiu ao Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) identificar vínculos entre os criminosos presos em Gravataí e a rede que ajudou a financiar e dar cobertura ao assalto ocorrido em 19 de junho de 2024, no aeroporto de Caxias do Sul, quando cerca de R$ 30 milhões foram roubados de um avião-pagador.
Segundo as apurações, parte dos recursos obtidos com o tráfico foi utilizada para custear a logística, garantir esconderijos e viabilizar rotas de fuga dos assaltantes. O ataque em Caxias do Sul foi cometido por meio de uma associação entre criminosos gaúchos e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção de origem paulista. Na ocasião, ao menos nove homens armados metralharam a aeronave e dois carros-fortes. A ação terminou com a morte de um policial militar e de um dos criminosos, e aproximadamente R$ 15 milhões foram recuperados durante a perseguição à quadrilha.
Batizada de Operação Camisa 2, em referência à célula especializada no tráfico de drogas da facção investigada, conhecida como “Camisa”, a ofensiva busca desarticular definitivamente a estrutura financeira e logística que sustentou o roubo milionário. As investigações seguem em andament















