Estudo publicado pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que um em cada quatro brasileiros sente dor no ombro pelo menos uma vez por ano. O problema afeta principalmente mulheres e pessoas com mais de 60 anos de idade. Entre as principais causas estão acidentes e processos inflamatórios. Além do ombro, lesões em todo o membro superior (braço, punho e mão) têm aumentado, impulsionadas pelo uso frequente de tecnologias, como celulares e computadores.
As condições variam de acordo com a idade dos indivíduos. Entre os pacientes mais jovens, o estilo de vida dinâmico, favorece o surgimento de lesões de origem traumática. A prática de esportes, exercícios físicos e até mesmo outras atividades cotidianas aumenta a exposição a contusões.
Já entre os mais velhos, o perfil das doenças nos membros superiores é diferente. O desgaste natural com o passar da idade gera condições degenerativas. Lesões nos punhos, como a síndrome do túnel do carpo, além de epicondilite e problema nos tendões do manguito rotador, no ombro, são frequentes.
A tendinite, por sua vez, é causada, em grande parte, por impactos repetitivos, que resultam em maior fricção sob os tendões, muitas vezes associada à má postura. Movimentos repetitivos, sobrecarga, fatores anatômicos, doenças sistêmicas e uso de determinados medicamentos também podem desencadear o processo inflamatório. A lesão nos tendões pode ainda irradiar do ombro para os braços, ou seja, podemos ter uma “dor que caminha”.
Outra situação grave e que infelizmente ocorre com certa regularidade são as luxações nos ombros, conhecidas popularmente como quando o “ombro sai do lugar”. A luxação consiste na perda da congruência articular e é uma condição médica urgente, já que a interferência na anatomia do ombro pode comprometer ligamentos, tendões, nervos e vasos.
Adotar a prática de exercícios físicos com a orientação profissional e ter uma dieta equilibrada são importantes para prevenir lesões. No trabalho ou nos estudos, manter uma postura ergonômica e evitar esforços repetitivos também são medidas fundamentais. Os alongamentos completam a lista de importantes aliados na prevenção.
*Dra. Marina Cornelli é traumatologista do Hospital Dom João Becker e foi a convidada desta quinta-feira (18/12) do programa Papo de Saúde, uma parceria com o Giro de Gravataí e cuja edição pode ser conferida neste link.














